Da redação
O Distrito Federal possui a menor cobertura de Centros de Atenção Psicossocial (Caps) do Brasil, com taxa de 0,54, segundo dados do Ministério da Saúde. Mesmo abaixo da média nacional, o DF enfrenta agravamento da situação com a recente dispensa de sete servidores do Caps de Ceilândia, gerando protestos de trabalhadores da saúde, usuários e representantes da sociedade civil em frente à unidade na última segunda-feira (2).
Os manifestantes alertam que a retirada dos servidores pode comprometer o atendimento e a qualidade da assistência psicossocial. Cartazes afixados no local denunciavam “assédio” e criticavam a falta de concursos para a Secretaria de Saúde do DF, que não realiza seleção pública desde 2018. Funcionários temem o fechamento do serviço de internação devido ao déficit de pessoal.
O DF conta atualmente com 18 Caps, sendo 14 habilitados, número considerado insuficiente diante da alta demanda. Segundo servidores do Caps de Ceilândia, o argumento da gestão de que a unidade possui excesso de funcionários é contestado: “Somos o único Caps para uma população de 500 mil habitantes, deveríamos ter pelo menos três”, afirma uma funcionária. Dados oficiais mostram ainda que o último centro foi inaugurado em 2018, e não houve novos lançamentos nos últimos oito anos.
Entre 2017 e 2025, o total de procedimentos nos Caps saltou de 118.691 para mais de 420 mil anuais, sem que novas unidades fossem criadas. Segundo Pedro Costa, do Grupo Saúde Mental de Militância do DF (UnB), seriam necessárias ao menos 18 novas unidades para alcançar a média nacional de cobertura.
A reportagem procurou a Secretaria de Saúde do DF para comentar as dispensas, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. A política pública de saúde mental no DF é alvo de ação judicial, que cobra a ampliação e funcionamento regular da rede.






