Da redação
O jogador Damián Bobadilla, do São Paulo FC, firmou um acordo com o Ministério Público após ser acusado de xenofobia contra Miguel Navarro, do Talleres, durante partida da Copa Libertadores no ano passado. O episódio ocorreu quando Bobadilla chamou o adversário de “venezuelano morto de fome”, ofensa relatada ao árbitro chileno Piero Maza e que resultou na paralisação do jogo por alguns minutos.
Após o registro do caso, a Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (DRADE) indiciou Bobadilla por injúria racial. Segundo o acordo judicial aceito nesta sexta-feira, o atleta cumprirá medidas socioeducativas e, se atender a todas as condições, o processo será encerrado sem abertura de ação penal.
Entre as obrigações impostas pela Justiça, Bobadilla deverá participar de aulas sobre xenofobia e discriminação, gravar quatro vídeos explicando o que aprendeu, e visitar o Museu da Imigração, em São Paulo. Também terá que doar aproximadamente R$ 61 mil em livros, que serão destinados à Coordenação de Políticas para Imigrantes e Promoção do Trabalho Decente.
O acordo exige ainda a publicação de quatro mensagens contra a xenofobia nas redes sociais do atleta, com conteúdo aprovado pelo Ministério Público e postagens mensais. Caso todas as medidas sejam cumpridas, a Justiça dará o caso por encerrado.
Antes do acordo, a Conmebol já havia punido Bobadilla com multa de US$ 15 mil. No Brasil, atos de xenofobia no futebol são enquadrados como injúria racial, podendo resultar em até cinco anos de prisão. O promotor Danilo Keiti Goto destacou a importância de medidas educativas para combater a xenofobia no esporte.






