Da redação
A crise desencadeada pelo caso Master abalou o cenário político brasileiro na volta do Congresso Nacional, atingindo tanto a direita quanto a esquerda. A operação Compliance Zero da Polícia Federal, que mirou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, trouxe à tona o envolvimento de lideranças partidárias e autoridades, elevando a tensão suprapartidária. O presidente Lula (PT) expressou apoio às investigações, mas aliados alertam para possíveis impactos na base governista e na relação com o STF, especialmente em ano de protagonismo de indicados por Jair Bolsonaro (PL) no TSE.
O governo defende a continuidade das apurações, contando com o apoio do ministro Fernando Haddad (Fazenda), do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, de Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e de Sidônio Palmeira (Secom). Internamente, avalia-se que o escândalo pode respingar em aliados, mas atinge principalmente dirigentes do centrão e da oposição. No entanto, divergências vêm à tona: o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), se posicionou contra uma CPI do caso, enquanto Lindbergh Farias (PT-RJ) é favorável.
No campo da oposição, a proximidade de Vorcaro com dirigentes do centrão inibe críticas mais contundentes ao governo. O presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), foi apontado como atuante em defesa dos interesses do Master, mas mantém-se discreto. O PL chegou a tentar atribuir a origem do escândalo ao governo, estratégia criticada internamente.
Aliados do governo temem que o caso ganhe dimensões semelhantes à operação Lava Jato, atingindo vários Poderes e até o PT da Bahia. A divulgação de encontros de Lula com Vorcaro e de contratos do banco com o governo baiano ampliou o desgaste, assim como as ligações do Master ao escritório da família de Ricardo Lewandowski e a participação de Aílton de Aquino, do BC, na compra de carteiras de crédito fraudulentas pelo BRB.
Com o avanço das investigações, Daniel Vorcaro teria sinalizado possuir informações comprometedoras sobre figuras de todos os Poderes. Segundo relatos, o banqueiro menciona ter “amigos em todos os Poderes”, mas vem sendo evitado por antigos aliados. A expectativa, contudo, é que o inquérito envolvendo políticos seja centralizado no STF, contribuindo para controlar a disputa política entre Judiciário e Executivo.






