Da redação
A participação do jogador Neymar Jr. em uma maratona de pôquer online, seguida de reação em tom de deboche, reacendeu o debate sobre os limites entre entretenimento e risco à saúde mental no universo dos jogos. A polêmica ganhou destaque após especialistas alertarem para os perigos do jogo quando ele deixa de ser lazer e passa a dominar a rotina.
Segundo a psiquiatra Jessica Martani, o pôquer, apesar da associação à habilidade e estratégia, pode se tornar comportamento compulsivo devido ao sistema de recompensa do cérebro. “Jogos que envolvem recompensa variável ativam o sistema de recompensa do cérebro, fazendo com que o indivíduo busque repetir a experiência, muitas vezes aumentando a frequência e o tempo de jogo”, declarou à coluna Fábia Oliveira.
Entre as consequências mais comuns do vício em jogos, Jessica Martani cita ansiedade, irritabilidade, alterações de humor, dificuldade de concentração, prejuízo no sono e, em casos graves, sintomas depressivos, isolamento social e problemas financeiros.
A psicóloga Anastácia Cristina Macuco Brum Barbosa reforça que o jogo pode evoluir para um padrão difícil de controlar, principalmente quando vira uma válvula de escape emocional. Ela destaca que o impacto do vício ultrapassa o momento do jogo, afetando outras áreas da vida, como trabalho e relações pessoais. “É comum surgir culpa após perder dinheiro, mas ainda assim continuar jogando”, explicou.
Para ambas as especialistas, identificar o problema pode ser difícil, já que os sinais aparecem de forma gradual. Sintomas como aumento da frequência, mentiras sobre tempo ou dinheiro gasto, e prejuízos no cotidiano indicam a gravidade da situação. Elas recomendam abordar o tema sem julgamentos e buscar ajuda profissional, pois o tratamento deve considerar não só o comportamento, mas também suas causas emocionais.





