Da redação do Conectado ao Poder
Proposta envolve ativos do antigo Banco Master hoje sob gestão do BRB e será enviada ao Banco Central. Banco e GDF buscam garantias para captar R$ 6,6 bilhões junto ao FGC
Um fundo de investidores apresentou, na quinta-feira (10/4), uma proposta para comprar R$ 15 bilhões de ativos ligados ao antigo Banco Master que hoje estão sob gestão do Banco de Brasília (brb), segundo a governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão (PP). A informação foi divulgada após uma reunião, em São Paulo, com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que contou com a presença do presidente do brb, Nelson de Souza.
De acordo com Celina Leão, o desenho da proposta combina R$ 4 bilhões de pagamento à vista e R$ 11 bilhões em ações de subsidiárias. A governadora afirmou, em publicação nas redes sociais, que o governo segue analisando o tema e declarou: “Seguimos avaliando com responsabilidade e rigor técnico cada etapa, sempre com o objetivo na proteção do interesse público, na solidez do sistema financeiro e na preservação dos ativos do Distrito Federal”.
Segundo Celina, a negociação não prevê aporte de recursos públicos nem compromete o caixa do banco. Ela também declarou que o interesse do mercado é um sinal para a instituição: “O interesse de investidores qualificados reforça a credibilidade do Banco de Brasília-brb”.
A proposta, conforme informado, deve ser formalmente encaminhada ao Banco Central, responsável pela análise técnica e regulatória do negócio. Após o encontro com Galípolo, Celina Leão manteve reuniões com representantes de instituições financeiras.
Paralelamente, o brb e o Governo do Distrito Federal buscam ampliar garantias para viabilizar um aporte de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Nelson de Souza afirmou que há necessidade de reforçar o conjunto de ativos oferecidos como garantia e disse: “Os terrenos da lei (aprovada pela Câmara Legislativa) servem. Mas nem todos despertaram o interesse. Precisamos melhorar a oferta de garantias, uma vez que não há tempo hábil de fazer o Fundo de Investimento Imobiliário (FII)”.
Questionado sobre alternativas, o presidente do brb declarou que não vê dificuldade para estruturar novas garantias e relatou o envolvimento do controlador na agenda: “Pela primeira vez, o controlador (GDF) esteve comigo numa reunião. A Celina (Leão) se comprometeu com o Banco Central e os players, os investidores qualificados, que irá resolver o problema do banco. É uma questão de honra ter um banco saudável e sólido”.
Nelson também afirmou que a legislação permite outras opções de garantia e citou exemplos: “A própria lei autoriza a inclusão de ações CEB e Caesb como garantia. O GDF tem 7 mil imóveis. Estamos buscando ativos que deem segurança imediata”.
No campo jurídico, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) voltou a se posicionar contra a liberação da área da Serrinha do Paranoá na lei de capitalização do brb e pediu à Justiça o restabelecimento de proteção judicial do local. O órgão apontou riscos ambientais e questionou o uso do terreno como alternativa para mitigar perdas do banco, em manifestação assinada pelo procurador-geral de Justiça, Georges Seigneur.
A Serrinha havia sido protegida por decisão da Vara de Meio Ambiente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, que proibiu venda, alienação ou oferta do terreno, sob pena de multa de R$ 500 milhões. A medida foi suspensa depois, após recurso do GDF, e o MPDFT defendeu que a proteção seja restabelecida até o julgamento final de uma ação popular.
Celina Leão anunciou a retirada da Serrinha do Paranoá da lista de imóveis destinados à capitalização do brb. Em meio à mudança de estratégia, o GDF instituiu o Parque Distrital da Serrinha, no Lago Norte, por decreto publicado em edição extra do Diário Oficial do DF, com foco no ordenamento territorial e na proteção de ecossistemas nativos, segundo o governo.
O calendário informado para o brb prevê, em 22 de abril, assembleia extraordinária para aumento de capital e homologação de Nelson Antônio de Souza e Joaquim Lima de Oliveira no Conselho de Administração. Em 30 de abril, estão programadas assembleias para eleição de conselheiros, definição de remuneração da administração e análise das contas de 2025, e em 30 de maio está prevista a finalização do plano de capitalização do brb.






