Centrão se divide, vira página sobre Tarcísio e testa candidatura alternativa na direita


Da redação

Dirigentes do centrão ainda não definiram apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. O presidente do PP, Ciro Nogueira, foi o único a sinalizar publicamente a possibilidade de endossar Flávio, mas a federação União Progressista (União Brasil + PP) mantém cautela. Nos bastidores, Ciro prega paciência e defende aguardar antes de tomar uma decisão sobre a campanha do senador.

As siglas do centrão, apesar de ocuparem ministérios e cargos no governo Lula, também evitam manifestar apoio ao presidente no primeiro turno. O Palácio do Planalto, por ora, acolhe a postura de independência das legendas, sem adesão total a Flávio.

Líderes do centrão tentaram inicialmente garantir Tarcísio de Freitas (Republicanos) como opção presidencial, mas após tensão recente com a família Bolsonaro, descartaram sua candidatura ao Planalto. Tarcísio, que declarou apoio a Flávio, reforçou os laços com o Republicanos ao convidar o presidente estadual, Roberto Carneiro, para a Casa Civil.

A federação União Progressista prioriza a montagem de chapas estaduais e só pretende definir posição nacional em abril. A tendência é neutralidade, já que o apoio a Flávio poderia dificultar as eleições de deputados e senadores, especialmente no Nordeste.

Outros partidos, como Republicanos, MDB e Solidariedade (em federação com o PRD), também demonstram inclinação à neutralidade. O Republicanos, que abriga Tarcísio, considera negociar com o PSD, que lançou uma terceira via com Ronaldo Caiado. Em evento realizado na quarta-feira (28) em São Paulo, Caiado afirmou que o PSD busca apoio de partidos da centro-direita, citando MDB, Republicanos, PP e União Brasil.