Da redação
Alexandre Flávio Monteiro, procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Amapá, e Gláucio Maciel Bezerra, secretário de Finanças do Tribunal de Justiça do estado, aprovaram investimento de R$ 100 milhões do fundo de pensão Amprev no Banco Master. Ambos participaram da decisão como membros do comitê de investimentos, mesmo tendo votado contra operações anteriores com o banco, segundo atas públicas.
O comitê aprovou por unanimidade, em reunião extraordinária em 12 de julho de 2024, um aporte de R$ 200 milhões em letras financeiras do Master, seguido por novo investimento de R$ 100 milhões em 19 de julho, quando Monteiro e Bezerra foram voto vencido ao apontarem riscos e solicitarem diligência prévia. Na deliberação de 30 de julho, mais R$ 100 milhões foram aprovados com o apoio de ambos após relatório técnico favorável.
Essas aplicações integram um total de R$ 400 milhões investidos pela Amprev no Banco Master, valores que podem ser perdidos após a liquidação da instituição pelo Banco Central em novembro. Segundo a Polícia Federal, os aportes ignoraram documentos técnicos e alertas internos sobre riscos. O principal investigado é Jocildo Silva Lemos, ex-presidente da Amprev e coordenador do comitê, indicado por Davi Alcolumbre (União-AP).
A PF deflagrou operação de busca e apreensão na entidade e em endereços de ex-gestores, mas Monteiro e Bezerra foram ouvidos apenas como testemunhas, de acordo com pessoas ligadas à investigação. Atas da Amprev mostram também tentativas de se desfazer de investimentos considerados ilegais em letras do Banco de Brasília (BRB), restringidos por norma do Conselho Monetário Nacional. O Ministério Público afirmou que Monteiro não participou do arquivamento de inquérito civil sobre o caso, pois havia assumido o cargo meses antes.





