Início Política China avalia riscos de governo Flávio Bolsonaro para desdolarização e relação bilateral

China avalia riscos de governo Flávio Bolsonaro para desdolarização e relação bilateral


Da redação

A possível eleição de Flávio Bolsonaro em 2025 gerou preocupação em Pequim quanto ao futuro das relações bilaterais com o Brasil. A China acompanha atentamente o cenário político, avaliando riscos de mudanças em iniciativas de desdolarização e de integração financeira implementadas entre os dois países nos últimos anos.

Desde 2009, a China se consolidou como principal destino das exportações brasileiras e maior investidor estrangeiro no país, especialmente em setores como soja, petróleo e minério. Em 2025, o Brasil liderou o recebimento de investimentos chineses, consolidando uma relação considerada sólida por diplomatas e executivos de empresas dos dois lados.

Apesar da robustez nas trocas comerciais, existe preocupação quanto à possibilidade de repetição dos atritos registrados durante o governo de Jair Bolsonaro. Representantes chineses apontam receio de retrocessos em avanços institucionais, principalmente na integração financeira, que permitiu transações diretas entre real e yuan, sem a necessidade de dólar como intermediário.

Durante o governo Lula, foi criada uma câmara de compensação de moedas, facilitando negociações e concessão de empréstimos e inaugurando operações como a da Eldorado Celulose em outubro passado. A expectativa é que ainda em junho o governo brasileiro realize seus primeiros “panda bonds” no mercado chinês. Empresas veem essas iniciativas como testes, mantendo a maioria das transações dolarizadas.

Em declarações, Flávio Bolsonaro criticou a política do atual governo em relação à China, afirmando ao Financial Times que “o presidente Lula erra ao fechar a porta para os Estados Unidos e simplesmente abrir o Brasil como se fosse uma colônia chinesa”. Esse discurso deixou empresas chinesas apreensivas quanto ao futuro da parceria.

O adiamento da visita do vice-presidente Han Zheng ao Brasil e exemplos internacionais, como a manutenção de laços sino-argentinos pelo governo Milei, ilustram a complexidade dessa relação. Segundo especialistas, apesar das tensões, os vínculos Brasil-China permanecem resilientes devido à forte interdependência econômica entre as nações.