Por Alex Blau Blau
Parlamentares de São Paulo e do Rio de Janeiro receberam mensagens semelhantes e denunciam tentativa de intimidação com conteúdo racista, misógino e transfóbico
Cinco deputadas estaduais de São Paulo e do Rio de Janeiro denunciaram ter recebido ameaças de morte e violência sexual por meio de mensagens eletrônicas enviadas na madrugada de quarta-feira (4). As parlamentares, todas mulheres negras, divulgaram uma nota conjunta e solicitaram providências das autoridades para identificar os responsáveis.
Entre as vítimas estão as deputadas paulistas Paula da Bancada Feminista (PSol) e Ediane Maria (PSol), além das parlamentares fluminenses Renata Souza (PSol), Dani Monteiro (PSol) e Dani Balbi (PCdoB).
Segundo as deputadas, todas receberam o mesmo conteúdo ameaçador, o que levantou suspeitas de uma ação coordenada contra representantes de duas assembleias legislativas estaduais.
As parlamentares classificaram as mensagens como uma tentativa de intimidação política, marcada por manifestações de racismo, misoginia e transfobia.
Mensagem faz referência ao nazismo
A deputada Dani Balbi, primeira mulher trans eleita para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), publicou um vídeo nas redes sociais relatando parte do conteúdo recebido.
De acordo com a parlamentar, o autor da mensagem se apresentou como simpatizante do nazismo e fez ameaças explícitas de violência contra as deputadas.
As cinco representantes afirmaram que já haviam enfrentado episódios semelhantes individualmente, mas destacaram a gravidade de uma ameaça direcionada simultaneamente a parlamentares de diferentes estados.
Em nota conjunta, reforçaram que não aceitarão intimidações durante o exercício de seus mandatos.
Deputadas acionam autoridades
As parlamentares informaram que formalizaram uma denúncia conjunta na Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância de São Paulo (Decradi-SP).
Também encaminharam um pedido de reunião à Polícia Federal para discutir a investigação e solicitaram apoio institucional às presidências da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
O objetivo é garantir a apuração das ameaças, identificar os responsáveis e avaliar as medidas necessárias para proteger as parlamentares.
Violência política preocupa representantes
As deputadas consideram que o episódio ultrapassa ataques individuais e representa uma ameaça ao exercício da representação política.
Elas defendem que mensagens com conteúdo de ódio e ameaças contra mulheres em cargos públicos sejam investigadas com rigor, especialmente quando apresentam possíveis motivações discriminatórias.
Até a divulgação das informações, não havia confirmação sobre a identidade dos responsáveis pelo envio das mensagens.
O caso deverá ser analisado pelas autoridades competentes, que poderão apurar a eventual prática de crimes relacionados a ameaças, discriminação e violência política.




