Início Mundo Classificação dos EUA de facções brasileiras como terroristas pode afetar economia nacional

Classificação dos EUA de facções brasileiras como terroristas pode afetar economia nacional


Da redação

O governo dos Estados Unidos classificou facções brasileiras do crime organizado como organizações terroristas, medida que, segundo especialistas, deve afetar negativamente a economia nacional. O anúncio, feito recentemente, pode impactar turismo, investimentos e comércio exterior, conforme análise de professores e economistas ouvidos nesta quarta-feira, 12.

Francisco Carlos Teixeira da Silva, cientista político e professor aposentado da UFRJ, afirma que empresas estrangeiras já buscam informações sobre segurança no Brasil. Segundo ele, “com a definição de país que abriga terrorismo internacional, esse grau de investimento vai sofrer um impacto muito grande”, citando possíveis perdas em criação de empregos e transferência de tecnologia.

Além do impacto nos investimentos, as exportações brasileiras estariam sujeitas a maior escrutínio por parte dos Estados Unidos e países da Europa, segundo Teixeira. Ele avalia que produtos brasileiros poderão ser associados a riscos de uso ilícito, afetando de “forma longa e permanente” o comércio exterior do país.

O turismo, conforme destaca Teixeira, deve ser imediatamente impactado porque o Brasil passa a ser classificado como abrigo de organizações terroristas. “Nos coloca ao nível da Somália ou outros países. Países que não são confiáveis para turismo e viajantes internacionais”, declarou. O turismo de negócios em cidades como São Paulo pode ser igualmente prejudicado pela medida.

Luiz Carlos Prado, professor de economia internacional da UFRJ, afirmou que a decisão dos EUA pode ser usada politicamente para impor restrições a empresas brasileiras, mencionando investigações recentes envolvendo fintechs. Para ele, “aumenta o risco de empresas que atuam no país serem prejudicadas por algum critério” e amplia a instabilidade política.

O governo brasileiro alega que a classificação pode servir de pretexto para intervenção externa e prejudicar inovações nacionais, como o Pix, investigado nos EUA por suposta “concorrência desleal”. Especialistas também diferenciam terrorismo, com motivações políticas, do crime organizado, motivado por lucro, e sugerem ações internacionais contra paraísos fiscais.