Da redação
Grupos de WhatsApp administrados por aliciadores e coiotes têm facilitado a saída irregular de cubanos de Cuba, oferecendo pacotes a partir de US$ 1.400 para o Brasil via Guiana, incluindo trâmites de documentos e CPF. Com a migração para os Estados Unidos dificultada desde a volta de Donald Trump à presidência, o Brasil se tornou uma alternativa, refletida no recorde de quase 42 mil pedidos de refúgio de cubanos em 2025 — mais que o dobro do ano anterior.
Segundo a Polícia Federal (PF), 21,6 mil cubanos entraram no país em 2025, porém muitos cruzam fronteiras irregulares, fugindo dos controles. Coiotes orientam os migrantes sobre como pedir refúgio, já que o Brasil permite aos solicitantes acesso a saúde, trabalho e educação enquanto aguardam análise do pedido e praticamente não deporta imigrantes. Ainda assim, o governo brasileiro passou a exigir mais comprovação de renda para concessão de vistos, levando parte dos cubanos a buscar rotas alternativas por países vizinhos que não exigem visto, como Guiana e Suriname.
Pacotes de viagem para o Brasil podem chegar a US$ 4.000, geralmente incluindo voos por companhias caribenhas, transporte terrestre e entrada por cidades fronteiriças como Pacaraima (RR) ou Oiapoque (AP). Redes de coiotes utilizam trilhas (“trochas”) e pontos sem fiscalização para atravessar cubanos, que muitas vezes veem o Brasil apenas como país de passagem antes de buscar outros destinos, como Uruguai.
Em 2025, cerca de 15 mil cubanos saíram do Brasil, muitos pela fronteira de Santana do Livramento (RS) rumo ao Uruguai, onde também se tornaram o principal grupo de solicitantes de refúgio, com 15 mil pedidos. Eles são atraídos pela língua, reputação de bem-estar social e rapidez na documentação, apesar do sistema local estar sobrecarregado.
O fluxo migratório pode se agravar diante do colapso econômico em Cuba e da crise no abastecimento de voos, após a Venezuela cortar o fornecimento de petróleo. Autoridades uruguaias consideram a imigração positiva para conter o declínio populacional e fortalecer a previdência social. Sair da ilha, porém, tem se tornado cada vez mais difícil.





