Da redação
O artigo “Tabata importa censura israelense”, de Glenn Greenwald, tem sido criticado por distorcer a proposta da deputada Tabata Amaral que visa estruturar políticas públicas de combate ao antissemitismo no Brasil. Segundo os críticos, Greenwald apresenta o projeto como instrumento de censura, ignorando que ele não criminaliza opiniões, restringe debates ou pune críticas a Israel, mas propõe ações de educação, monitoramento, prevenção e conscientização frente ao aumento global do antissemitismo.
O texto de Greenwald, de acordo com seus opositores, parte da falsa premissa de que a adoção da definição da IHRA (Aliança Internacional para a Memória do Holocausto) resultaria na repressão de críticas legítimas a Israel. Eles ressaltam que a própria definição da IHRA distingue claramente crítica política de discurso antissemita, o que é ignorado pelo artigo, que, assim, troca análise por alarmismo.
Críticos destacam que é totalmente legítimo criticar Israel, Estado reconhecido pela ONU, mas consideram inaceitável condenar todos os judeus como povo ou transformar o termo “sionista” em ofensa. Para eles, a narrativa contra a definição da IHRA transforma o combate ao preconceito em suspeita política, desviando o debate sobre proteção de minorias para teorias conspiratórias sobre controle de discurso.
Outro ponto mencionado é a tentativa, por parte de Greenwald, de enquadrar o debate brasileiro a partir de contextos estrangeiros, especialmente dos Estados Unidos, sem considerar a realidade democrática e constitucional brasileira. Misturar críticas ao sionismo, políticas de guerra e antissemitismo, afirmam, acaba por reforçar a confusão que deveria ser evitada e banaliza a gravidade do antissemitismo.
O PL 1.424/2026, de Tabata Amaral, já conta com o apoio de 45 deputados de 19 partidos e adota a definição de antissemitismo consolidada em mais de 40 países. Críticos do artigo de Greenwald afirmam que, ao exigir o veto da proposta sem debater alternativas, ele contribui para silenciar setores da sociedade e fragilizar a proteção contra o ódio antissemita.







