Início Mundo Comissão da ONU para a Síria pede justiça, reforma e apoio internacional

Comissão da ONU para a Síria pede justiça, reforma e apoio internacional


Da redação

Mesmo após a queda do regime de Bashar al-Assad em dezembro de 2024, a Síria enfrenta graves desafios na área de direitos humanos. Segundo relatório divulgado nesta sexta-feira pela Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Síria, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, anos de violações cometidas tanto por forças do antigo governo quanto por grupos armados não-estatais abalaram a confiança da população.

O relatório, presidido pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, destaca que a transição síria segue marcada por dificuldades para implementar governança inclusiva, Estado de Direito e responsabilização. Pinheiro enfatizou que “a comunidade internacional não pode ficar de braços cruzados enquanto os sírios lutam para se recuperar de décadas de anarquia”. A Comissão também registrou a formação de dois novos órgãos nacionais focados em justiça de transição e pessoas desaparecidas.

Durante visita à Síria na semana passada, os comissários discutiram com autoridades locais investigações sobre massacres ocorridos em março e julho de 2025 nas regiões de Latakia, Homs, Hama, Tartus e Suwayda, que resultaram em mais de 2,9 mil mortos, a maioria civis de minorias religiosas. A Comissão afirma que tais violações podem configurar crimes de guerra e contra a humanidade.

O relatório documenta execuções extrajudiciais, tortura, desaparecimentos forçados e outras violações, especialmente contra comunidades associadas ao governo anterior. Os peritos pedem reformas urgentes no setor de Segurança e Justiça e ações para desarmamento, desmobilização e reintegração, com rigoroso treinamento em direitos humanos.

A Comissão também apura o aumento da violência entre forças do governo sírio e as Forças Democráticas da Síria no nordeste do país e operações militares israelenses que resultaram em mortes de civis. O relatório expressa preocupação com a transferência de mais de 5.700 suspeitos de ligação com o Estado Islâmico para o Iraque, incluindo crianças, alertando para possíveis violações do princípio da não repulsão.