Da redação do Conectado ao Poder
A tarifaço, em vigor a partir de agosto, pode prejudicar mais os EUA, dado que o DF importa mais do que exporta.

A nova taxação de 50% sobre produtos brasileiros, decretada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrará em vigor no dia 6 de agosto e promete trazer significativas repercussões econômicas para o Distrito Federal. Segundo a Federação das Indústrias do Distrito Federal (FIBRA), a medida afetará muito mais a economia norte-americana do que a local, já que o DF tem uma balança comercial desfavorável, importando muito mais do que exporta.
Dados recentes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelam que os Estados Unidos ocupam a sexta posição entre os principais destinos das exportações do DF. Em 2024, o valor das exportações do DF para os EUA alcançou US$ 7,8 milhões, um aumento de 21% em relação ao ano anterior.
A lista de produtos exportados inclui gorduras e óleos vegetais, preparações de cereais, roupas e outros itens. Apesar do crescimento nas exportações, o presidente da FIBRA, Jamal Jorge Bittar, aponta que a quantidade de exportações é irrisória comparada aos mais de US$ 300 milhões que o DF importa dos EUA. “O maior prejuízo é para o mercado americano. Nós exportamos US$ 8 milhões e importamos mais de US$ 300 milhões”, explicou Bittar.
O governador do DF, Ibaneis Rocha, se mostrou cauteloso, afirmando que a região não deve enfrentar um grande impacto, visto que a pauta de exportação para os EUA é pequena e a economia do DF é predominantemente consumidora. No entanto, especialistas em economia alertam que, com o aumento nos preços dos produtos americanos, pode haver um impacto significativo na quantidade de produtos adquiridos localmente.
O empresário Rômulo Lopes, que atua na produção e exportação de pamonha e açaí, exemplifica as dificuldades potenciais. “Com essa nova taxação, a exportação para os EUA ficará praticamente inviável. Já estamos vendo sinais de que se a taxa de 50% for mantida, será muito difícil continuar trabalhando com produtos brasileiros”, comentou Lopes.
Além das preocupações dos empresários, o especialista em economia, Cesar Bergo, também acredita que o tarifaço resultará em pressões sobre a indústria dos EUA. “O aumento dos custos afetará tanto as indústrias americanas quanto os consumidores, especialmente em setores onde não há produção interna, como café e suco de laranja”, destacou Bergo.




