Da redação
A morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, neste sábado (28), encerra uma era iniciada em 1989, quando ele assumiu o comando máximo da República Islâmica após a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini. Khamenei foi morto em uma ofensiva militar liderada pelos Estados Unidos e Israel, sob coordenação do presidente americano Donald Trump.
A sucessão no Irã permanece incerta. Segundo a Constituição, o líder supremo é escolhido vitaliciamente pela Assembleia de Especialistas, formada por 88 clérigos, cuja composição mais recente foi estabelecida em 2024. Todos os candidatos à assembleia precisam ser aprovados pelo Conselho Guardião, composto por 12 membros — metade indicada pelo líder supremo e metade pelo chefe do Judiciário, atualmente Gholam-Hossein Mohseni-Eje’i, nomeado por Khamenei em 2021.
Apesar das regras constitucionais, especialistas indicam que procedimentos podem ser ajustados retroativamente para legitimar o grupo que prevalecer na disputa, repetindo precedentes históricos. Donald Trump declarou, neste sábado, já “ter um nome em mente” para a sucessão, mas não detalhou quem seria ou como a escolha seria implementada.
Nos últimos anos, o regime operava sob liderança coletiva, formada por presidente, presidente do Parlamento, chefe do Judiciário, e representantes das Forças Armadas, devido à idade avançada e crescente isolamento de Khamenei. Com isso, mesmo após a morte do líder supremo, a teocracia iraniana mantém mecanismo de governo coletivo, que, segundo o cientista político Ali Alfoneh, a coloca em posição mais resiliente que ditaduras personalistas.
A oposição ao regime encontra-se principalmente no exílio ou presa. O principal nome no exterior é Reza Pahlavi, filho do ex-xá, que vive nos Estados Unidos e tenta se posicionar como alternativa à liderança do país, mas enfrenta ceticismo de outros grupos opositores.






