Início Economia Conflito no Oriente pode elevar exportações de combustível do Brasil

Conflito no Oriente pode elevar exportações de combustível do Brasil


Da redação

O agravamento das tensões no Oriente Médio pode impactar de diferentes formas o comércio exterior brasileiro, segundo o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Herlon Brandão. Ele avalia que a alta no preço do petróleo, comum em situações de conflito na região, tende a beneficiar o Brasil, exportador líquido do combustível. “O Brasil é um exportador líquido de petróleo e, na medida em que o preço do petróleo suba, o saldo do comércio de combustíveis tende a aumentar”, afirmou Brandão na quinta-feira (5).

Entretanto, o Oriente Médio também é um grande comprador de alimentos brasileiros, como carne de frango, milho, açúcar e produtos halal. O diretor destaca que eventuais impactos negativos nas exportações desses produtos tendem a ser temporários, já que “a demanda por alimentos nesses países não vai desaparecer. Os fluxos tendem a se normalizar”. Atualmente, o Oriente Médio responde por 32% das exportações de milho, 30% da carne de aves, 17% do açúcar e 7% da carne bovina do Brasil.

Nos Estados Unidos, as exportações brasileiras caíram 20,3% em fevereiro, somando US$ 2,523 bilhões, e as importações diminuíram 16,5%, para US$ 2,788 bilhões. O saldo comercial foi negativo em US$ 265 milhões, registrando a sétima queda consecutiva nas vendas ao mercado norte-americano. Segundo Brandão, o resultado está relacionado à sobretaxa de 50% imposta pelo governo Donald Trump em 2025. Embora a medida tenha sido derrubada pela Suprema Corte dos EUA no fim de fevereiro, seus efeitos serão sentidos nos próximos meses.

Já as exportações para a China registraram alta de 38,7% em fevereiro, totalizando US$ 7,220 bilhões, enquanto as importações caíram 31,3%, para US$ 5,494 bilhões. O superávit na balança comercial com o país asiático foi de US$ 1,73 bilhão. Nas importações, destacou-se a aquisição de uma plataforma de petróleo da Coreia do Sul por cerca de US$ 2,5 bilhões, impactando estatísticas regionais.

Em relação à União Europeia, as exportações brasileiras cresceram 34,7% em fevereiro, atingindo US$ 4,232 bilhões, enquanto as importações recuaram 10,8%, para US$ 3,301 bilhões, gerando superávit de US$ 931 milhões. Para a Argentina, houve queda de 26,5% nas exportações e de 19,2% nas importações, mas o saldo permaneceu positivo em US$ 207 milhões. China, Estados Unidos, União Europeia e Argentina seguem como principais parceiros comerciais do Brasil.