Da redação
No sétimo dia de intensos combates no Oriente Médio, autoridades das Nações Unidas alertaram para o agravamento da emergência humanitária, com possíveis impactos globais sobre a economia e o meio ambiente. Em Genebra, o alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Turk, afirmou nesta sexta-feira (3) que o conflito, desencadeado pelos ataques israelenses e norte-americanos contra o Irã e seguido por retaliações, “se espalha como fogo”.
Em Nova Iorque, o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, classificou a situação mundial como de “grave perigo”, com consequências que escapam ao controle dos envolvidos no conflito. Fletcher destacou que a interrupção de rotas marítimas cruciais, como o Estreito de Ormuz, pode elevar preços de alimentos, pressionar sistemas de saúde e prejudicar a entrega de ajuda humanitária, além de desviar recursos de outras crises internacionais.
A Agência da ONU para Refugiados (Acnur) declarou a escalada da crise como uma grande emergência humanitária na região, exigindo resposta imediata. Segundo Ayaki Ito, diretora de emergências do Acnur, há movimentos populacionais significativos em toda a região e no sudoeste da Ásia. A Organização Internacional para Migrações (OIM) advertiu que a instabilidade e as novas taxas para transporte marítimo – chegando a US$ 3 mil por contêiner – estão atrasando e encarecendo o envio de suprimentos essenciais.
No Líbano, a situação se agravou após intensificação de ataques aéreos e emissão de ordens de evacuação em massa por forças israelenses. Milhares tiveram que deixar suas casas ao sul do rio Litani, nos subúrbios do sul de Beirute e no Vale do Bekaa. Estimativas apontam quase 100 mil pessoas abrigadas em locais provisórios, enquanto outros buscam refúgio em partes mais seguras do país.
De acordo com a diretora regional da Organização Mundial da Saúde para o Mediterrâneo Oriental, Hanan Balkhy, desde 28 de fevereiro, foram registrados no Irã mais de 925 mortes e 6,1 mil feridos, além de 14 ataques a serviços de saúde. No Líbano, houve ao menos 683 feridos e 123 mortes desde 2 de março, com o fechamento de 43 centros de atenção primária e dois hospitais, agravando a limitação de acesso a cuidados médicos.







