Início Mundo Conflitos em Cordofão, Sudão, forçam deslocamento de mais de 200 mil pessoas

Conflitos em Cordofão, Sudão, forçam deslocamento de mais de 200 mil pessoas


Da redação

Mais de duzentos mil sudaneses foram deslocados recentemente na região de Cordofão, no Sudão, diante do agravamento dos confrontos entre as Forças de Apoio Rápido e o Exército Sudanês. Segundo a Organização Internacional para Migrações, ataques de drones têm atingido infraestrutura essencial de água e eletricidade em el-Obeid, dificultando o acesso da população a serviços básicos.

O número de deslocados aumentou vinte e cinco por cento nos últimos oito meses, conforme a OIM. Ataques atribuídos às Forças de Apoio Rápido afetaram a principal subestação elétrica de el-Obeid, prejudicando o abastecimento de água, o funcionamento de hospitais e as redes de comunicação. A população da cidade cresceu de setecentos e cinquenta mil para cerca de três milhões e quatrocentos mil, impulsionada pelo cerco prolongado. Apenas no primeiro semestre, estima-se que trinta e nove mil crianças chegaram ao local, segundo entidades humanitárias.

A resposta humanitária inclui a reabertura de uma rota de suprimentos, que nesta semana permitiu à OIM entregar mil setecentas e cinquenta toneladas de ajuda, incluindo kits de higiene e tendas, beneficiando cento e dez mil setecentas e cinquenta pessoas. Apesar disso, a redução no financiamento ameaça as operações de auxílio, que pretendem alcançar mais de quatrocentas mil vítimas nos próximos dias. Inundações sazonais em Darfur do Norte prejudicaram mil trezentas e cinquenta casas e causaram o deslocamento de mais de mil famílias, enquanto novos fluxos de deslocados foram registrados em outras regiões.

De acordo com a diretora-geral da OIM, Amy Pope, o Sudão enfrenta uma das maiores crises de deslocamento do mundo, devido ao impacto conjunto do conflito, dos danos à infraestrutura e das inundações. Desde o início da guerra em 2023, ao menos cinquenta e nove mil pessoas morreram e quatorze milhões foram deslocadas internamente ou buscaram refúgio em países vizinhos. Atualmente, cerca de trinta e três milhões e setecentas mil pessoas necessitam de assistência humanitária no país.