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Conitec aprova análise para inclusão de teste genético de câncer de mama no SUS


Da redação

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) aprovou, recentemente, a análise para possível inclusão de um teste genético destinado à identificação do risco hereditário de câncer de mama no sistema público. A solicitação foi apresentada pela Sociedade Brasileira de Mastologia e visa ampliar o acesso a métodos diagnósticos mais precisos no país.

O exame em avaliação utiliza a técnica de Sequenciamento de Nova Geração, que detecta mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, associados a maior probabilidade de desenvolvimento de câncer de mama e ovário. Conforme as informações apuradas, atualmente o procedimento não está disponível regularmente pelo SUS, mas já é oferecido em planos de saúde e iniciativas pontuais de estados.

Estudos apontam que entre 5% e 10% dos casos de câncer têm ligação com fatores hereditários. No caso específico de câncer de mama, cerca de metade dessas ocorrências envolve alterações nos genes BRCA1 e BRCA2. Pessoas portadoras dessas mutações apresentam risco elevado, entre 60% e 80%, de desenvolver a doença ao longo da vida.

A identificação precoce dessas alterações genéticas permite adotar estratégias preventivas mais direcionadas, como monitoramento intensificado e, em determinados casos, intervenções médicas para redução de risco. Segundo especialistas, essas medidas podem impactar positivamente na detecção precoce e nas chances de sucesso do tratamento.

A proposta em análise prevê a implementação progressiva da tecnologia, inicialmente para grupos considerados de maior risco, com posterior ampliação. O estudo de viabilidade destacou tanto o benefício clínico quanto a relação custo-efetividade, além da possibilidade de estender a testagem a familiares, colaborando para estratégias preventivas mais amplas.

O acesso ao teste genético permanece desigual no Brasil, restrito principalmente à rede privada ou a projetos regionais. A iniciativa de incorporar o exame ao SUS busca diminuir essa disparidade, beneficiando a população atendida pelo sistema público, que corresponde a aproximadamente 80% dos brasileiros.