Da redação
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) discutiu a governança de minerais críticos como lítio, cobalto, níquel, cobre e grafite, em reunião presidida pela República Democrática do Congo. O secretário-geral António Guterres destacou a necessidade de mais transparência e cooperação contra práticas ilegais que financiam conflitos prolongados, especialmente o controle desses minerais por grupos armados e a mineração ilegal.
Segundo Guterres, é essencial negar recursos financeiros a grupos que alimentam guerras. Ele elogiou a União Europeia pela proibição da compra, importação e transferência de ouro do Sudão, além da exportação para o país de mercúrio e cianeto, mencionando que tais medidas auxiliam no combate à extração ilegal. O secretário-geral enfatizou ainda que operações de paz da ONU já apoiam países a enfrentarem a exploração ilícita, mas que instituições financeiras, empresas e organizações internacionais também têm responsabilidade de garantir cadeias produtivas regulamentadas.
Durante a reunião, Guterres afirmou ser fundamental garantir “o fim da exploração e dos saques”, defendendo uma divisão mais justa do valor gerado nos países produtores e comunidades locais. Kaveh Madani, diretor do Instituto de Água Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas, avaliou que, sem governança eficiente, comunidades podem se tornar “zonas de sacrifício”, com maiores impactos e violações de direitos humanos. O Conselho debateu modelos de governança sustentável e transparente que revertam cenários de conflito e promovam condições para a paz.
De acordo com projeções da ONU, a demanda global por minerais críticos deve triplicar até 2030, impulsionada pela produção de carros elétricos, painéis solares e avanços em tecnologia. As Nações Unidas apoiam países como República Democrática do Congo, Moçambique, Uganda, Zâmbia, Argentina, Indonésia e Casaquistão a desenvolver acordos, expandir o refino interno e gerir receitas vinculadas à mineração.





