Da redação
O setor da construção civil e o mercado imobiliário do Distrito Federal entram em 2026 com perspectivas positivas, impulsionados pela expectativa de queda da taxa básica de juros, atualmente em 15% e com previsão de encerrar o ano perto de 12%. A inflação controlada, projetada em 4,5%, e a manutenção dos investimentos públicos criam um ambiente favorável para compra, venda e lançamento de imóveis.
Segundo Adalberto Cléber Valadão Júnior, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF), a redução dos juros será o principal motor do crescimento. “Quanto menor a taxa de juros, mais pessoas têm capacidade de comprar imóveis e maior fica a demanda. A gente entende que esse vai ser um ano de crescimento do mercado imobiliário, com mais vendas”, afirma. Ele destaca que uma redução de dois pontos percentuais nas taxas pode diminuir as parcelas em 12% em contratos de 20 a 30 anos, ampliando o acesso à casa própria.
Com juros mais baixos, a migração de investidores para o setor imobiliário tende a aumentar, já que aplicações de renda fixa perdem atratividade. Imóveis seguem sendo opção de proteção patrimonial, especialmente em momentos de incerteza econômica. O segmento de baixa renda mantém produção acelerada, com cerca de 60 mil unidades habitacionais em desenvolvimento e entregas previstas ainda em 2026. O mercado de aluguel, por sua vez, permanece aquecido devido ao patamar elevado dos juros, estimulando a busca por renda via locação.
No campo dos investimentos públicos, o Governo do Distrito Federal prevê cerca de R$ 5 bilhões em obras, incluindo intervenções urbanas, transporte público, unidades de saúde, creches, escolas e duas novas pontes no Lago Sul, com aporte estimado em R$ 1,7 bilhão. “Se esses investimentos forem confirmados, o mercado de obras públicas e infraestrutura também ficará bastante movimentado”, afirma Valadão Júnior.
Apesar do cenário favorável, o setor convive com dificuldades para contratar mão de obra qualificada. Para amenizar o problema, entidades investem em formação profissional via parcerias com o Senai-DF, GDF e Exército. A industrialização gradual dos processos também busca aumentar a produtividade e reduzir a dependência de trabalho intensivo. Em ano eleitoral, o mercado imobiliário reforça sua imagem de investimento seguro. “O empresário é otimista por natureza. Mesmo com juros altos, falta de mão de obra e desafios jurídicos, temos obrigação de buscar soluções e seguir investindo”, conclui o presidente do Sinduscon-DF.








