Da redação
O número de contratos de namoro registrados em cartórios brasileiros alcançou 241 em 2025, recorde desde o início da contagem pelo Colégio Notarial do Brasil. O crescimento, verificado principalmente entre divorciados e viúvos acima de 50 anos, acompanha mudanças na composição familiar e responde a preocupações patrimoniais, conforme especialistas.
Em 2016, foram contabilizados 26 contratos, indicando aumento acumulado de 827%. Comparado a 2022, quando houve 93 registros, a alta foi de 159%. O contrato de namoro permite ao casal declarar formalmente que mantém uma relação afetiva, mas sem buscar uma união estável, servindo como elemento de prova para eventuais disputas futuras.
O presidente do Colégio Notarial, Eduardo Calais, explica que o público tem mudado. “São pessoas que já passaram por casamento ou união estável, construíram patrimônio, criaram filhos e agora iniciam uma nova etapa da vida afetiva”, afirma. Calais ressalta que o instrumento “proporciona transparência e segurança jurídica, preservando direitos e evitando conflitos futuros”.
A psicanalista Carol Tilkian aponta que a ampliação dos contratos de namoro revela a tentativa de trazer temas financeiros para o início da relação. “Pensando pelo lado positivo, o contrato de namoro é uma tentativa de trazer essa conversa enquanto está tudo bem”, afirma. Ela diz que o principal motivador é a proteção patrimonial.
Advogados ouvidos relatam grande procura por parte de quem já enfrentou divórcios e inventários. “As pessoas temem ter que redividir algo que acabou de ser partido”, afirma João Victor Gomes de Siqueira. Apesar disso, Siqueira esclarece que o Judiciário pode reconhecer união estável mesmo existindo o contrato de namoro, dependendo das circunstâncias.
Segundo o IBGE, quase um terço dos casamentos atuais no Brasil envolve ao menos um divorciado ou viúvo, número que passou de 13,5% em 2004 para 31,1% em 2024. Além disso, cerca de três em cada dez divórcios envolvem pessoas com mais de 50 anos, fenômeno chamado de “divórcio cinza”.





