Da redação
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou nesta terça-feira, 5, a ata da última reunião, indicando que o ciclo de cortes na taxa básica de juros (Selic) deve ser menor do que o inicialmente previsto por governo, mercado e diretoria da própria instituição, devido ao cenário de expectativas de inflação desancoradas.
O documento, produzido pela equipe de Gabriel Galípolo, aponta que a conjuntura atual exige que a autoridade monetária mantenha uma postura mais restritiva e prolongada do que considerava apropriado em outros momentos. Segundo o Copom, todos os membros do comitê chegaram à conclusão de que o ambiente de expectativas de inflação desancoradas demanda maior rigor no controle da política monetária.
A ata estabelece que, diante desse contexto, a tendência do processo de redução da Selic será menos intensa do que as projeções iniciais indicavam, o que representa uma mudança de expectativa relevante para o mercado financeiro. Os membros do Copom foram explícitos quanto à dificuldade de promover cortes mais agressivos enquanto perdurar o quadro de incertezas inflacionárias.
Adicionalmente, o colegiado do Banco Central destacou que a duração e a intensidade dos cortes de juros dependem do desdobramento da guerra no Oriente Médio. De acordo com os diretores, se o conflito se estender por mais tempo, aumentam as probabilidades de a taxa básica recuar menos do que o previsto anteriormente.
Os membros do Copom afirmaram no documento: “A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”.
A diretoria do Banco Central reforçou ainda a necessidade de cautela e serenidade na condução da política monetária. Conforme registrado, decisões futuras levarão em conta informações adicionais que permitam maior clareza sobre a extensão dos conflitos no Oriente Médio e possíveis repercussões nos preços da economia brasileira.







