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Copom trata ciclo de corte de juros como ‘calibração’ e Selic deve cair menos


Da redação

Em ata divulgada nesta terça-feira, 24, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central adotou um tom mais cauteloso diante da instabilidade global causada pela guerra no Oriente Médio e pelos riscos de desaceleração econômica nos Estados Unidos. O documento destacou a palavra “calibração” cinco vezes ao se referir ao ciclo de cortes da taxa Selic, sinalizando menor disposição em reduzi-la de forma significativa.

O BC afirmou que, para assegurar a convergência da inflação à meta, calibrará os juros de forma a manter a política monetária restritiva. Na prática, isso indica que a Selic deve permanecer em patamar elevado devido às pressões inflacionárias e à falta de clareza no cenário internacional.

De acordo com o Copom, “a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas”. O colegiado ressaltou que a extensão dos conflitos geopolíticos e os sinais mistos sobre a economia internacional dificultam previsões claras para o comportamento dos preços.

Na ata, o BC também manteve o balanço de riscos inalterado, mas alertou que o quadro de incerteza pode exigir revisões na próxima reunião, marcada para 28 e 29 de abril, caso os fatores externos permaneçam adversos. “O Comitê julgou apropriado reunir mais informações ao longo do tempo, em função da incerteza elevada”, informou o documento.

Se o conflito no Oriente Médio persistir até a próxima reunião, combustíveis e alimentos podem continuar sob pressão, pela alta nos preços e falta de fertilizantes. Neste cenário, o Copom pode limitar o corte dos juros a 0,25 ponto percentual ou até encerrar antecipadamente o ciclo de reduções.