Da redação
Os Correios buscam levantar R$ 8 bilhões até junho, por meio de novo empréstimo ou aporte da União, para viabilizar seu plano de reestruturação e evitar crise em ano eleitoral. Segundo fontes ouvidas pela Folha, os R$ 12 bilhões conseguidos em operação de crédito no fim de 2025 – com cinco bancos, incluindo Banco do Brasil e Caixa – garantirão fôlego apenas até meados de 2024. O total necessário para o plano é de R$ 20 bilhões.
Desse empréstimo, R$ 10 bilhões já foram liberados no fim do ano passado e os outros R$ 2 bilhões sairão até o fim de janeiro. O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou em dezembro que, para honrar compromissos, serão indispensáveis mais R$ 8 bilhões. O recurso servirá para pagar dívidas, estimular adesão ao PDV e ajustar o plano de saúde dos funcionários.
Nesta semana, a estatal iniciou conversas com bancos para medir interesse em uma nova operação, mas há expectativa de que o governo realize parte do aporte sinalizado pelo Ministério da Fazenda. O contrato existente prevê injeção de R$ 6 bilhões da União até 2027, compromisso confirmado pelo Tesouro Nacional, independentemente de novo empréstimo.
A empresa pressiona para receber parte dos R$ 6 bilhões ainda este ano, evitando repetir o cenário de 2025, quando o atraso na liberação do crédito quase comprometeu o pagamento do 13º salário. Bancos demonstram pouco apetite para oferecer novo financiamento sob as condições atuais, aumentando as chances de antecipação do aporte governamental.
O contrato atual é de 15 anos, com três de carência. A dívida poderá superar R$ 1 bilhão por ano a partir de 2028, tornando nova operação ainda mais onerosa para uma empresa em recuperação. O governo avalia ainda outras alternativas, como compensação por serviço postal universal, para reforçar as receitas da estatal.






