Início Distrito Federal Corte em salários do 1º escalão do GDF segue parado na Câmara

Corte em salários do 1º escalão do GDF segue parado na Câmara

rollemberg2Proposta de redução de 20% foi anunciada pelo governador em setembro. Deputado do PMDB pediu vista; ‘Fiquei em dúvida sobre outros cargos’, diz.

Anunciado pelo governo do Distrito Federal em setembro como forma de cortar despesas “na própria carne”, o projeto que reduz salários de governador, vice, secretários e administradores regionais ainda não saiu do papel. O texto está há mais de dois meses em tramitação na Câmara Legislativa, sem previsão de ir a plenário.

Até a manhã desta terça-feira (1°), o texto ainda tramitava na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que avalia se o projeto tem algum vício ou inconstitucionalidade. Membro da comissão, o deputado Robério Negreiros (PMDB) pediu vistas (mais tempo para analisar) no último dia 10. Desde então, o texto parou de tramitar.

“Vou devolver amanhã [nesta terça]. Não podemos votar de maneira açodada, mas o tema é relevante e meritório. É que já houve uma redução de salário de 20% após as eleições passadas, por ordem do ex-governador, então fiquei em dúvida sobre a abrangência de outros cargos”, diz Negreiros.

Em 2012, o decreto legislativo 1923/2012 fixou os salários de governadores, vices, secretários e administradores regionais. Desde então, não houve mudanças nos vencimentos, exceto pela proposta agora. O Siga Brasília , aplicativo e página com informações sobre o governo, informa que Rodrigo Rollemberg recebe R$ 23.449 mensais, o mesmo valor descrito no texto de 2012. Descontando o Imposto de Renda, o governador recebe líquido por mês R$ 18,8 mil.

“A vista que pedi não foi para adiar o projeto, mas para entendê-lo direito. Estive em alguns órgãos, e me questionaram como ficaria o salário. Você pega o SLU, por exemplo, a maioria é gente de fora. Daqui a pouco, a gente não consegue trazer especialistas em aterro, em outras coisas”, afirma o peemedebista.

Na ponta do lápis
Hoje, o GDF gasta R$ 715.211,30 por mês com os salários do governador Rollemberg, do vice Renato Santana, dos 18 secretários e dos 24 administradores regionais. O valor leva em conta apenas o vencimento bruto, sem bônus, 13º salário, férias, benefícios e indenizações.

Com a aprovação da lei, o custo mensal cairia para R$ 572.169,04 – uma economia de R$ 143.042,26 a cada folha salarial. Se o corte fosse mantido por um ano, o GDF deixaria de gastar R$ 1.716.507,12 apenas com o primeiro escalão.

Na prática, a medida deve valer por um período bem menor. Se o texto não for votado nas próximas duas semanas, só volta à pauta da Câmara em fevereiro, após o recesso parlamentar. Como o GDF tem até maio para voltar aos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), a redução salarial poderia ser aplicada em, no máximo, três contracheques.

Decreto reduz salários do primeiro escalão do GDF enquanto limite da LRF for desrespeitado (Foto: Reprodução)Decreto reduz salários do primeiro escalão do GDF enquanto limite da LRF for desrespeitado (Foto: Reprodução)

Só primeiro escalão
O projeto de decreto legislativo 56/2015 define que os salários do primeiro escalão serão reduzidos em 20% sempre que o GDF estourar o limite máximo de gastos com folha de pagamento. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) estabelece esse teto em 49% da receita corrente líquida.

R$ 23.449,55 é o salário bruto do governador do DF; com a redução proposta, valor deveria cair para R$ 18.759,64

Com o texto, o salário bruto do governador passa de R$ 23.449,55 para R$ 18.759,64; o do vice-governador, de R$ 20.743,83 para R$ 16.595,06; o dos secretários, de R$ 18.038,12 para R$14.430,49, e o dos administradores regionais, de R$ 14.430,49 para R$ 11.544,39.

O decreto não cita outras categorias do funcionalismo público. O Palácio do Buriti afirma que não existem carreiras com salários vinculados ao do governador e, por isso, o decreto não tem efeito cascata.

Em setembro, o GDF ultrapassou o limite máximo da LRF e gastou 50,8% da receita corrente líquida com salários. Agora, o Buriti tem até maio para voltar ao limite da lei. Pelo menos um terço do “excesso de salários” tem que ser cortado até dezembro.

A vista que pedi não foi para adiar o projeto, mas para entendê-lo direito. Estive em alguns órgãos, e me questionaram como ficaria o salário. Você pega o SLU, por exemplo, a maioria é gente de fora. Daqui a pouco, a gente não consegue trazer especialistas em aterro, em outras coisas”
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Caso contrário, o DF fica proibido de obter garantias, transferências voluntárias e operações de crédito – na prática, deixa de receber investimentos de fora. O secretário de Fazenda, Pedro Meneguetti, anunciou os números de setembro e disse que o governo corria risco de “entrar em colapso”.

Sem prazo
O projeto é relatado na CCJ pela deputada Sandra Faraj (SD), que também preside o colegiado. Em resposta ao G1, ela afirmou que o relatório “há semanas”, mas só pode pautar o tema quando acabar o pedido de vistas.

A reunião da CCJ prevista para esta terça foi cancelada, em razão do Dia do Evangélico comemorado na segunda (30). Até as 15h, o calendário disponível no site da Câmara não exibia nenhuma reunião marcada para o colegiado até o fim de 2016. Assim, não há prazo para a tramitação ser concluída.

Fonte: G1