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Cortes de Trump na ajuda internacional e saída dos EUA da OMS ampliam crises humanitárias no mundo


Da redação

O primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump marcou o maior recuo dos Estados Unidos em décadas na ajuda internacional de saúde, afetando hospitais, campos de refugiados e programas de combate a doenças em regiões como África, Oriente Médio e sul da Ásia. O corte bilionário nos programas da Usaid — agência de ajuda externa americana, extinta em julho passado — somou-se à retirada dos EUA da OMS, iniciada após Trump tomar posse em 20 de janeiro de 2025 e concluída nesta semana.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, lamentou a saída em entrevista, na última terça (13), dizendo que a decisão torna o mundo “menos seguro” e representa “uma perda para os Estados Unidos e para o resto do mundo”. Estudo do CEPR (Center for Economic and Policy Research), publicado em dezembro de 2025, estima entre 500 mil e 1 milhão de mortes adicionais em 2025 devido à retirada do financiamento americano, podendo chegar a 1,6 milhão anuais se não houver reversão.

Além do impacto direto sobre o tratamento de 2,3 milhões de pessoas com HIV/Aids, estimado pelo CEPR, a Unaids prevê que até 2029 possam ocorrer 6,6 milhões de novas infecções, 4,2 milhões de mortes relacionadas à Aids e 3 milhões de crianças órfãs. O enfrentamento da tuberculose também foi prejudicado, com previsão de 62 mil mortes adicionais por interrupção do apoio — segundo Sara Davis, da Universidade de Warwick.

A retração dos investimentos americanos já é sentida em diversas regiões: no Iêmen, 2,4 milhões ficaram sem assistência alimentar; houve aumento de mortes por desnutrição na Nigéria, Somália e em campos rohingya, em Bangladesh; e surtos de malária em Camarões. Somente um novo grande contrato emergencial foi assinado em 2025, para a Fundação Humanitária de Gaza, criticada por entidades como os Médicos Sem Fronteiras.

O CEPR destaca que em 2025 os gastos dos EUA com saúde global caíram 33% e a ajuda humanitária e alimentar recuou 58%, tornando os efeitos combinados dos cortes e do isolamento institucional potencialmente letais. Pesquisadores afirmam haver “pouca dúvida” de que a retração já causou inúmeras mortes evitáveis. Para Tedros, “a melhor imunidade é a solidariedade”.