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Cortes em ajuda agravam crise alimentar na África Ocidental e Central, alerta WFP


Da redação

O Programa Alimentar Mundial (WFP) alerta que cerca de 55 milhões de pessoas na África Ocidental e Central podem enfrentar níveis críticos ou piores de fome durante a estação de escassez entre junho e agosto de 2026. Segundo análise do Cadre Harmonisé, equivalente regional à Classificação Integrada de Segurança Alimentar (IPC), prevê-se que mais de 13 milhões de crianças sofram de desnutrição ainda este ano. Mais de três milhões de pessoas estão em níveis de emergência alimentar em 2024, número que dobrou em relação a 2020.

Sarah Longford, diretora regional adjunta do WFP para a África Ocidental e Central, afirma que a redução de recursos financeiros é uma das causas do aumento da fome em 2025. Para ela, o apoio às comunidades em crise é fundamental, a fim de evitar que a fome gere “mais agitação, deslocamentos e conflitos em toda a região”.

Nigéria, Chade, Camarões e Níger concentram 77% dos casos de insegurança alimentar. No estado de Borno, Nigéria, cerca de 15 mil pessoas enfrentam risco de fome catastrófica, classificação IPC-5, algo inédito em quase uma década. Conflitos, deslocamentos, crise econômica e cortes na assistência humanitária agravam a situação da população.

No Mali, áreas onde famílias receberam rações reduzidas registraram aumento de 64% na fome aguda (IPC 3+) desde 2023, enquanto comunidades com rações completas tiveram queda de 34%. Na Nigéria, o corte de verba em 2025 forçou o WFP a reduzir programas nutricionais, prejudicando mais de 300 mil crianças. Sem financiamento urgente, mais de 500 mil pessoas podem ficar sem assistência nos Camarões, e o WFP prevê atender apenas 72 mil pessoas na Nigéria em fevereiro, contra 1,3 milhão no ano anterior.

O WFP pede mais de US$ 453 milhões nos próximos seis meses para manter operações na região. Sarah Longford defende uma mudança de paradigma em 2026, com aumento de investimentos em preparação, ações antecipadas e fortalecimento da resiliência por parte de governos e parceiros, visando quebrar o ciclo da fome para as futuras gerações.