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Crianças no Brasil ameaçadas com déficits em saúde, educação e mercado laboral


Da redação

Déficits em saúde, educação e mercado de trabalho causam perdas médias de 51% na renda futura de países de baixa e média renda, segundo relatório do Banco Mundial. No Brasil, o prejuízo é de 40%, conforme o estudo “Construindo o Capital Humano Onde Importa: Domicílios, Bairros e Emprego”, divulgado junto ao novo Índice de Capital Humano Plus (HCI+).

O HCI+ mede o capital humano que uma criança nascida hoje pode acumular ao longo da vida, considerando riscos à saúde, educação e emprego. Em 2025, o índice previsto para o Brasil é de 203 pontos, acima da média regional de 194. O principal desafio está na educação, que soma 115 de 188 pontos possíveis. Em saúde, o Brasil atinge 44 de 50 pontos, e no trabalho, 44 de 87.

A pesquisa aponta ainda desigualdade de gênero: homens apresentam expectativa de 210 pontos no HCI+, enquanto mulheres somam 196, uma diferença de 14% ao longo da vida. O relatório destaca que o país não converte plenamente seu potencial em capital humano.

O levantamento revela que crianças brasileiras perdem 40% dos ganhos futuros em comparação a países com desempenho superior e renda equivalente. Fatores como nutrição, vocabulário e proficiência em matemática são fortemente influenciados pela educação dos pais e pelo território onde a criança cresce. Em bairros mais favorecidos, jovens têm 25% mais chance de emprego formal e recebem o dobro na vida adulta.

Entre as recomendações, estão o fortalecimento de programas de desenvolvimento infantil e educação pré-escolar, políticas públicas voltadas a bairros desprivilegiados, integração entre nutrição, aprendizagem e desenvolvimento de habilidades, além de reformas no mercado de trabalho para expandir a aprendizagem prática e o acesso a creches.