Da redação
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) tornou-se alvo de críticas entre aliados da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. As declarações feitas por Zema sobre a relação de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, nesta segunda-feira, aprofundaram a crise interna na direita e afastaram qualquer possibilidade de Zema compor a chapa como vice.
Zema declarou em entrevista à Band: “Eu não posso ficar calado com relação a alguém que se envolve com um banqueiro bandido”. Ele também qualificou Vorcaro como “o maior criminoso da história financeira do Brasil”. As críticas acirraram os ânimos, agravando o clima de tensão entre membros do Novo e do PL.
Parte dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro reagiu publicamente. Carlos Bolsonaro, ex-vereador do Rio de Janeiro e pré-candidato ao Senado em Santa Catarina, afirmou que a atitude de Zema equivaleria a uma nova “facada” contra o bolsonarismo, referência ao episódio ocorrido em 2018. Já Eduardo Bolsonaro ironizou a “união conservadora” e citou uma suposta influência de notícias publicadas por “blog de esquerda”.
A resistência a Zema chegou ao ponto de integrantes mais radicais do grupo de Jair Bolsonaro defenderem o rompimento de alianças estaduais entre PL e Novo. Tal medida poderia influenciar diretamente a candidatura do deputado federal Marcel van Hattem (Novo) ao Senado pelo Rio Grande do Sul, parlamentar alinhado ao bolsonarismo.
Na tentativa de conter a crise, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, classificou como “natural” o pedido de recursos financeiros ao banqueiro para a produção do documentário Dark Horse. Valdemar negou qualquer intenção de substituir Flávio Bolsonaro por Michelle Bolsonaro como candidata, mesmo após notícias de que, no fim do ano passado, Flávio visitou Vorcaro recém-libertado.
Internamente, Valdemar Costa Neto atua para minimizar a crise e evitar prejuízos à parceria entre PL e Novo no Legislativo. Ele argumenta que os ataques de Zema representam uma visão isolada e afirmou: “Eles (o Novo) não têm tempo de televisão, nós temos de sobra”. A situação ocorre em meio ao esforço do PL de ampliar a bancada conservadora no Congresso.






