Início Mundo Cuba avalia ações militares dos EUA após novas ameaças feitas por Trump

Cuba avalia ações militares dos EUA após novas ameaças feitas por Trump


Da redação

Diante das recentes ameaças de Donald Trump de “tomar Cuba”, o governo cubano intensificou o monitoramento das movimentações militares dos Estados Unidos na região. O embaixador cubano José R. Cabañas Rodríguez afirmou que uma possível invasão é um risco para o qual o país está historicamente preparado, citando a necessidade de unidade do povo para resistir, como ocorreu na invasão da Praia Girón, em 1961.

José Cabañas, também professor de relações internacionais, recordou episódios em que o temor de invasão era forte, como nas operações militares dos EUA em Granada (1983) e no Panamá (1989). O diplomata destacou ainda a presença da base naval americana em Guantánamo desde 1903 como fator permanente de ameaça, agravado pelo excesso de informações que circulam atualmente, usadas, segundo ele, para “intoxicar” e amedrontar a população cubana.

O bloqueio econômico imposto pelos EUA, intensificado nos últimos meses, agravou a crise em Cuba, causando cortes de energia que afetam hospitais e a população, hoje com 11 milhões de habitantes. Em março, um petroleiro russo rompeu o bloqueio com 100 mil toneladas de petróleo, insuficientes para atender toda a demanda do país. Diante disso, Havana iniciou negociações com Washington para garantir o abastecimento, mas Cabañas destacou que Cuba não aceitará concessões que violem sua soberania.

Na semana passada, o presidente Miguel Díaz-Canel denunciou na ONU o bloqueio como punição coletiva, destacando 96 mil cubanos — entre eles 11 mil crianças — na fila de espera por cirurgias afetadas pela falta de energia. Parlamentares democratas dos EUA, como Pramila Jayapal, criticaram o embargo, afirmando que ele gera uma crise humanitária.

Para dialogar com os estadunidenses, Díaz-Canel concedeu entrevista à NBC News reafirmando a disposição do país de resistir a qualquer ação militar: “Se isso acontecer, haverá combate, haverá luta. Nós nos defenderemos, e se tivermos que morrer, morreremos…”, afirmou. O embargo completa 66 anos, sendo um dos mais duradouros do mundo.