Da redação
Cuba enfrenta há três meses uma grave crise energética, sem receber qualquer carregamento de combustível devido ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos. O governo americano advertiu que sancionará qualquer país que venda petróleo para a ilha caribenha. O presidente cubano Miguel-Díaz Canel informou, em coletiva nesta sexta-feira (13) em Havana, que a medida deixou municípios com até 30 horas seguidas sem energia elétrica.
“Já se passaram mais de três meses desde que um navio-tanque entrou em nosso país e estamos trabalhando em condições muito adversas que têm um impacto imensurável na vida de toda a nossa população”, afirmou Díaz-Canel. O bloqueio, reforçado pela administração Trump desde o final de janeiro deste ano, agravou a situação, especialmente após o bloqueio naval dos EUA à Venezuela.
Cuba produz cerca de 80% de sua energia em termelétricas movidas a combustíveis fósseis. Para amenizar a crise, Díaz-Canel destacou o aumento da produção interna de petróleo, expansão de usinas solares e estímulo ao uso de carros elétricos. Segundo ele, as fontes renováveis já respondem por até 51% da geração diurna de eletricidade. Contudo, o presidente admite que o país ainda depende da importação de petróleo para manter serviços essenciais como saúde, educação e transporte. “Milhares aguardam cirurgias que não podem ser realizadas devido à falta de energia, incluindo crianças”, lamentou.
Após o endurecimento do bloqueio em janeiro, Havana enfrenta mais apagões, alta de preços e redução de transporte público e da cesta básica subsidiada. Nas províncias do interior, os apagões chegam a durar quase o dia todo para parte dos 11 milhões de cubanos.
O embargo dos EUA a Cuba dura 66 anos. Em janeiro de 2024, Donald Trump qualificou Cuba como “ameaça incomum e extraordinária” à segurança dos EUA, citando a aproximação com Rússia, China e Irã, e prometeu ampliar sanções como parte da pressão pelo fim do governo do Partido Comunista no país.






