Da redação
Em março de 1960, um mês antes da inauguração de Brasília, o arquiteto Wilson Reis Netto fundou o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) no Planalto Central. A criação da entidade destacou o papel central de arquitetos e arquitetas na construção da nova capital, um projeto pensado desde o início com ampla liberdade criativa e inovação, incomum no país. O IAB já teve papel decisivo em 1956, quando o projeto de Brasília foi escolhido por concurso público nacional, e sua atuação em defesa da arquitetura remonta a 1922, conforme registro de reunião da então Sociedade Central de Arquitetos.
Wilson Reis Netto foi personagem fundamental nos primeiros anos da capital federal, integrando a equipe da Novacap chefiada por Oscar Niemeyer e participando de obras como a Escola da 114 Sul. Atuou também no fomento cultural, promovendo debates em sua casa na 700 Sul e recebendo delegações estrangeiras, artistas e arquitetos, como ocorreu em 1961 em recepção ao arquiteto nigeriano Augustine Agbor, acompanhada por nomes como Mestre Vitalino e Luiz Gonzaga.
Apesar de sua influência, Reis Netto foi apagado da memória cultural de Brasília. Entre as razões apontadas, estão o impacto do golpe militar de 1964, que desarticulou a cena cultural e afastou profissionais inovadores, e o fato de Wilson ser um homem gay, característica frequentemente colocada à frente de suas qualidades profissionais por contemporâneos.
O artigo ressalta a importância de resgatar a contribuição de Reis Netto e discutir a participação de mulheres, LGBTQIA+, populações negras e indígenas na construção de Brasília. Entre os sonhos do arquiteto estava a criação de um centro cultural dedicado à arquitetura e ao urbanismo, reivindicação que ainda se mantém relevante numa cidade reconhecida internacionalmente, mas carente desse espaço.
Nesta sexta-feira (27), será lançado na Universidade de Brasília o livro “Tempestade Tropical: de Brasília à Praia do Forte — a trajetória de Wilson Reis Netto”, de Alexandre Benoit, que contribui para o reconhecimento da importância histórica e cultural do arquiteto.





