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Cúpula do PMDB adia congresso para evitar pressão por saída do governo Dilma

cupula-do-pmdb-adia-congresso-para-evitar-pressao-por-saida-do-governo-dilmaOs diretórios estaduais estão realizando reuniões para deliberar sobre o desembarque do partido do governo. Parlamentares revelam que desgaste da presidente Dilma é grande nos estados.

A cúpula do PMDB nacional armou uma estratégia para adiar a decisão sobre um provável desembarque do governo. O congresso nacional do partido, marcado para o próximo dia 15, foi remarcado para março. Como os custos operacionais e logísticos do evento já estavam quase todos pagos, os peemedebistas decidiram transformar o evento em uma festa para comemorar os 50 anos da legenda e em congresso da Fundação Ulysses Guimarães, para discutir o novo estatuto do partido. A data também mudou. De 15 para 17 de novembro.

A estratégia, no entanto, pode não funcionar. Os diretórios estaduais estão realizando reuniões para deliberar sobre o desembarque do partido. “As bases estão pedindo para que a gente deixe o governo”, comentou uma parlamentar peemedebista. Ela disse que as executivas regionais estão querendo que o partido realize o congresso em novembro e decida por deixar a base do governo da presidente Dilma Rousseff.

“A situação está muito ruim. Quando a gente chega à base, recebe muita pressão. Aqui em Brasília, a gente não tem muita noção do que ocorre nas bases”, observou a parlamentar. Ela disse que alguns diretórios, como o de Santa Catarina, já aprovaram o desembarque. Neste final de semana, outros diretórios se reúnem para decidir sobre o assunto. “Atualmente acho que poucos diretórios aprovam a permanência do PMDB no governo”, avalia.

Essa não é uma opinião isolada. Um senador peemedebista identificado como governista também concorda com o desembarque. “Por mim, a gente entregaria todos os cargos e sairia agora [da base de apoio ao governo]”, desabafou. Ele disse que esse ponto de vista é compartilhado por mais de 80% dos senadores e deputados. “A crise está muito grande.”

Popularidade baixa

Pressão popular e baixa popularidade de Dilma preocupam as bases do PMDB Igo Estrela/ObritoNews/Fato Online

Com a proximidade da eleição municipal, os peemedebistas começam a receber pressão para deixar o governo e assumir um posicionamento mais crítico em relação ao governo. A crise econômica que atinge o país tem prejudicado o discurso dos governistas.

“O desemprego está aumentando muito. Mesmo nos lugares onde houve forte investimento do governo, a retração da economia tem levado a população a rejeitar o governo. No meu estado, a popularidade da presidente está em apenas 9%”, comentou um parlamentar da região Norte, onde a presidente sempre foi bem avaliada.

No Senado, os peemedebistas acreditam que um dos poucos diretórios regionais que defende a permanência no governo é o do Ceará, comandado pelo líder do partido, Eunício Oliveira. “Ele tem o controle total do partido no estado. Nos outros diretórios, a maioria vota pelo desembarque do governo”, observou outro senador.

O posicionamento do PMDB será decisivo para o futuro do governo Dilma Rousseff. A dificuldade do partido em desembarcar de vez passa pela fragilização dos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, envolvidos em denúncias da Operação Lava-Jato.

A postura do vice-presidente Michel Temer também tem colaborado para que o partido mantenha o apoio ao governo. “Ele é um constitucionalista, não faria nada fora do Estado democrático de direito”, observou um senador, completando que tem percebido um grande desconforto por parte do vice-presidente em relação ao governo e à postura do partido.

Apesar da crise, o PMDB deverá comemorar os 50 anos de fundação com uma festa em Brasília. “Vamos discutir o novo estatuto do partido e fazer uma grande festa”, disse o vice-presidente nacional da legenda, senador Valdir Raupp (RO).

A expectativa inicial era de que mais de três mil delegados, entre dirigentes municipais e estaduais, participassem do Congresso. Agora, a expectativa é que esse número seja menor.

Fonte: Fato Online