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Deepfakes são usados em eleições de vários países, mas impacto direto não é comprovado


Da redação

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiou uma reunião para buscar consenso sobre punições relacionadas ao uso de inteligência artificial (IA) nas eleições, incluindo a análise sobre se a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) cometeu irregularidade ao usar um vídeo com IA do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a convenção partidária do PL. Ainda não foi definida nova data para o encontro.

O uso de ferramentas de IA para criar vídeos, imagens e vozes sintéticas — conhecidos como deepfakes — tem gerado preocupação entre autoridades eleitorais, pesquisadores e plataformas digitais. Segundo Sam Stockwell, pesquisador do Centro de Tecnologias Emergentes e Segurança do Instituto Alan Turing, não há evidências conclusivas de que a IA tenha alterado resultados eleitorais, mas ele alerta para o potencial da tecnologia em minar a confiança nas instituições, gerar confusão e ampliar a polarização política.

Exemplos internacionais evidenciam a complexidade do problema. Na Irlanda, um deepfake de Catherine Connolly, candidata à presidência, anunciando sua desistência, viralizou três dias antes da votação. No Equador, vídeos falsos atribuídos a canais de TV implicaram candidatos em supostos escândalos na disputa presidencial de 2025. Na Alemanha, conteúdos manipulados sugeriram ameaças de segurança durante as eleições parlamentares, usando imagens reais e narração gerada por IA para espalhar medo e desinformação.

Stockwell destaca que, mesmo não sendo comprovado impacto direto no resultado do pleito, a disseminação desses conteúdos prejudica o ambiente informacional e dificulta a reação das autoridades e das próprias plataformas. Já houve registros semelhantes na Eslováquia, com áudios falsos de candidatos viralizando no período eleitoral, dificultando a checagem em tempo hábil e intensificando a disputa política.