Da redação
A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro avalia recorrer da decisão que absolveu, na quarta-feira (11), os policiais militares Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria da acusação de homicídio qualificado do adolescente Thiago Menezes Flausino, 13 anos. O crime ocorreu em agosto de 2023, na Cidade de Deus, zona sudoeste do Rio.
Segundo o defensor público André Castro, assistente de acusação no julgamento, o conjunto probatório é robusto, o que abre possibilidade de recurso, embora respeite a decisão dos jurados. Ele declarou que a família de Thiago, representada pela Defensoria, sente que a verdade ainda não foi reconhecida.
Castro criticou a linha de defesa dos policiais, fundamentada em legítima defesa, apesar da ausência de confronto. Os advogados alegaram que Thiago era traficante e apresentaram fotos dele supostamente armado, com símbolos de facção e referências à cultura do trap. Para o defensor, fotos em celulares não comprovam envolvimento com o crime, e legítima defesa exige provas, que, segundo ele, não existem no caso.
Os familiares tentaram comprovar a inocência do jovem por meio de testemunhas e imagens de câmeras, que mostraram que Thiago não estava armado, ainda que o momento da ação não tenha sido captado. O Ministério Público e a Polícia Civil realizaram apuração com abertura de dois processos: um por homicídio e tentativa de homicídio contra Marcos Vinicius de Sousa Queiroz, atingido na mão, e outro por fraude processual na Auditoria Militar.
Durante o julgamento, marcado por tensão, Marcos Vinicius afirmou que nenhum dos dois estava armado e não houve troca de tiros, contrariando a alegação dos policiais. Ao final, Castro expressou decepção com a absolvição e destacou os ataques à memória de Thiago. A Anistia Internacional também condenou o desvio de foco e manifestou indignação.








