Da redação
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou uma notícia-crime ao colega Alexandre de Moraes para que sejam investigadas publicações do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), no âmbito do inquérito das fake news. A solicitação tem como base um vídeo divulgado em março, onde dois fantoches simulam um diálogo entre Gilmar e o ministro Dias Toffoli, também do STF. No vídeo, o boneco de Toffoli pede a suspensão da quebra de seus sigilos, determinada pela CPI do Crime Organizado; o pedido é atendido por Gilmar, que solicita, em contrapartida, uma cortesia do resort Tayayá, envolvido em negociação com um fundo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
O inquérito das fake news foi instaurado em março de 2019 pelo então presidente do STF, ministro Dias Toffoli, e é relatado por Alexandre de Moraes. O objetivo do inquérito é apurar a disseminação de notícias falsas, ameaças e ataques contra ministros do Supremo e contra o sistema democrático.
A medida aumentou as críticas da oposição e de juristas, que alegam perseguição a desafetos e adversários dos magistrados e do governo Lula por meio do inquérito. Pesquisas de opinião encomendadas pelo ministro Sidônio Palmeira (Secom) apontam que parte da população associa ministros do STF ao governo federal, o que tem impactado negativamente a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Entre auxiliares de Lula, existe o receio de que a oposição use o envio do pedido de Gilmar a Moraes para reforçar o discurso de perseguição a adversários. Avaliações dentro do Planalto indicam ainda que o episódio pode aumentar o apoio de eleitores indecisos a nomes oposicionistas, como Zema, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD).
O relator do inquérito, Alexandre de Moraes, aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) para decidir sobre o pedido feito por Gilmar Mendes.






