Da redação
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos iniciou uma investigação sobre possíveis violações de regras de concorrência na indústria de processamento de carne, envolvendo empresas brasileiras como JBS, além de Cargill, Tyson Foods e National Beef. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (4), em Washington, devido ao aumento dos preços da carne no país.
O procurador-geral interino Todd Blanche informou que o processo ocorre em meio ao aumento de 18% no preço da carne moída no último ano, alcançando US$ 6,759 (R$ 35,10) por quilo em janeiro, segundo dados do Federal Reserve Economic Data. Blanche explicou que o Departamento já analisou cerca de 3 milhões de documentos e realizou entrevistas com pecuaristas e produtores.
Segundo Blanche, um acordo que pode impactar também os preços do frango, carne suína e peru será anunciado ao final desta semana. Até o momento, JBS e o conglomerado MBRF, controlador da National Beef, comunicaram que não irão comentar a decisão. Cargill e Tyson Foods foram procuradas, mas não responderam à solicitação.
Durante a coletiva, Peter Navarro, conselheiro do comércio da Casa Branca, ressaltou que metade das maiores empresas do setor é de capital brasileiro. Ele afirmou que, no último ano, tarifas foram impostas ao Brasil e que representantes do setor pressionaram a administração americana, mencionando ainda desvios de carne para mercados como a China.
A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, destacou que hoje essas empresas controlam aproximadamente 85% do processamento de gado no país, resultado de um aumento progressivo desde 1977. Rollins afirmou que essa concentração limita as opções de comercialização para pecuaristas, defendendo medidas para proteger produtores e consumidores.
O deputado republicano Jason Smith declarou apoio à investigação, argumentando que busca garantir competição justa e transparência nos preços. No final do ano passado, conforme divulgado por órgãos oficiais, o governo americano já havia solicitado uma análise do setor após declarações públicas do então presidente Donald Trump.







