Da redação
O ex-presidente Jair Bolsonaro presta depoimento nesta terça-feira, 23, às 15h, à Polícia Civil do Distrito Federal. Ele responde sobre uma pistola registrada em seu nome, apreendida com um dos seus seguranças durante uma blitz na última semana, fato que pode influenciar a manutenção de sua prisão domiciliar, vigente até quinta-feira, 25.
A defesa de Bolsonaro informou ao Supremo Tribunal Federal que ele solicitou o conserto da arma após identificar uma falha, alegando não existir vínculo entre esse pedido e o término do período de domiciliar. Advogados afirmam que a equipe de segurança retirou o percussor da pistola, sem o conhecimento do ex-presidente, para “prevenir acidentes”, já que Bolsonaro faz uso de medicamentos psiquiátricos.
Segundo os advogados, Bolsonaro percebeu o defeito no armamento e ordenou o reparo, sem saber previamente da mudança. Instruções foram dadas ao ex-presidente para destacar essas versões no depoimento, buscando evitar possíveis contradições ao ser ouvido pela Polícia Civil. Bolsonaro teve reunião preparatória de 30 minutos com os advogados nesta segunda-feira, 22, e foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes a ter mais uma hora de preparação nesta terça.
A defesa também argumenta que não existe determinação do STF para entrega da arma ou cancelamento do registro, e sustenta a regularidade da posse da pistola, registrada em 2019. Afirma ainda que Bolsonaro não deseja reaver o armamento e está à disposição das autoridades para esclarecimentos.
A arma, uma pistola Glock de 9 milímetros, foi apreendida com o militar Estácio Leite da Silva Filho em uma blitz a 33 quilômetros do condomínio de Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes pediu esclarecimentos sobre a permanência da arma na casa de Bolsonaro e sobre o contexto da solicitação de conserto. O comportamento do segurança durante a blitz também despertou atenção das autoridades.
A Polícia Civil abriu inquérito sobre o caso. Moraes determinou que a oitiva fosse presencial, já que o ex-presidente não pode usar dispositivos eletrônicos em prisão domiciliar. Bolsonaro cumpre domiciliar desde março, após condenação pelo STF a 27 anos e três meses por liderar uma trama golpista.





