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Deputada que fez blackface e se diz branca recebeu R$ 1.593 de fundo para negros


Da redação

A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP) recebeu R$ 1.593,33 do Fundo Especial de Financiamento de Campanha nas eleições de 2022 após se autodeclarar parda. O recurso é destinado, em parte, para candidaturas de pessoas negras. A informação foi revelada pela deputada Monica Seixas (PSOL-SP) e confirmada por documentos do fundo eleitoral.

Conforme registros, Fabiana, cujo nome completo é Fabiana de Lima Barroso, aparece em uma lista de candidatos pardos beneficiados. Ela recebeu dois repasses do fundo, nos valores de R$ 533,33 e R$ 1.060, ambos no dia 19 de setembro de 2022. A medida faz parte de uma política para ampliar a participação de pessoas negras nas eleições.

Na eleição de 2022, concorrendo ao cargo de deputada estadual, Fabiana alterou sua autodeclaração de raça para parda e passou a utilizar o sobrenome Bolsonaro, sem ter relação de parentesco com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em plenário, na última quarta (18), ela pintou o corpo com base para peles negras, em protesto contra a eleição de Erika Hilton (PSOL-SP) à presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara.

Durante o protesto, Fabiana declarou ter “vivido como uma pessoa branca” e questionou se poderia ser considerada negra ao se pintar, provocando acusações de racismo e transfobia. Erika Hilton solicitou abertura de inquérito para apurar possível fraude na autodeclaração racial, lembrando que Fabiana se declarou branca em 2020 e parda em 2022, o que pode ter influenciado o recebimento de verba pública.

O advogado de Fabiana, Alberto Rollo, afirmou que a responsabilidade pelos registros é dos partidos —Patriota em 2020 e PL em 2022— e ressaltou que a parlamentar relata possuir ascendência negra e indígena. “Diante disso, a autodeclaração como parda não seria irregular, né?”, questionou o defensor.