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Derrota de Viktor Orbán na Hungria abala líder aliado de Bolsonaro e símbolo da direita radical global


Da redação

Após 16 anos no poder, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, reconheceu neste domingo (12/4) sua derrota eleitoral para Peter Magyar. Em discurso em Budapeste, Orbán afirmou: “O resultado da eleição é claro e doloroso”. Magyar, por sua vez, confirmou ter recebido um telefonema de Orbán reconhecendo a vitória: “Viktor Orbán acabou de me ligar e nos parabenizou pela nossa vitória”.

Com cerca de 60% dos votos apurados, Magyar caminha para conquistar uma maioria de dois terços no Parlamento, configurando uma vitória esmagadora. Orbán declarou a seus apoiadores: “Não temos o peso de governar o país, então temos de reconstruir nossas comunidades”, e completou: “Nunca desistimos. Os dias que virão serão para curar nossas feridas”.

Durante a semana, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, demonstrou apoio a Orbán ao enviar o vice-presidente J.D. Vance a Budapeste. Em ligação telefônica transmitida em comício, Trump declarou: “Eu amo a Hungria e amo Viktor. Sou um grande fã de Viktor e estou com ele até o fim”. No Brasil, Jair Bolsonaro, atualmente preso por crimes como tentativa de golpe, já se declarou admirador de Orbán e, em 2022, o chamou de “irmão”.

A derrota de Orbán repercutiu entre lideranças europeias. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, escreveu: “O coração da Europa está batendo mais forte na Hungria esta noite. A Hungria escolheu a Europa”. Pedro Sánchez, premiê da Espanha, celebrou que “os valores europeus vencem”, enquanto Emmanuel Macron destacou o compromisso da Hungria com a União Europeia. O premiê britânico Keir Starmer classificou a vitória de Magyar como “momento histórico, não apenas para a Hungria, mas para a democracia europeia”.

Peter Magyar, de 45 anos, ex-membro do partido Fidesz, rompeu com Orbán em fevereiro de 2024 acusando o governo de corrupção. Criador do partido Tisza, Magyar construiu sua candidatura com foco em temas internos, como saúde e educação, e prometeu rever contratos com a Rússia, além de restaurar o papel da Hungria na União Europeia e Otan.