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Desembargadora que recebeu R$ 91 mil em março afirma: cortar benefícios fará juízes trabalharem como ‘escravos’


Da redação

A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará, afirmou durante sessão que a magistratura caminha para um “regime de escravidão” em razão das recentes restrições a benefícios. A declaração foi feita após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que extinguiu 15 penduricalhos, manteve oito verbas indenizatórias e limitou essas parcelas a 35% do subsídio, com teto de R$ 46.366,19.

Eva do Amaral recebeu R$ 91 mil líquidos em março e acumulou R$ 216 mil em salários no primeiro trimestre. Ela integra a 3ª Turma de Direito Penal e tornou-se desembargadora em julho de 2020, após 35 anos de carreira. O Tribunal de Justiça do Pará e a magistrada foram procurados pelo Estadão para comentar as remunerações acima do teto, mas não responderam até a publicação.

Durante a sessão, a desembargadora criticou a imagem pública dos juízes. “Os juízes estão sendo vistos como bandidos, como pessoas sem escrúpulos, pessoas que querem ganhar muito sem fazer nada”, declarou. Ela também reagiu ao termo “penduricalhos”, classificando-o como “chulo e vagabundo”.

Segundo Eva, a situação financeira atual impacta a rotina dos magistrados. “Colegas estão deixando de frequentar gabinetes de médicos, porque não vão poder pagar consulta. Outros estão deixando de tomar remédios”, afirmou. Ela alegou ainda que a categoria já perdeu benefícios como auxílio-alimentação e gratificações de direção.

A desembargadora enfatizou a carga de trabalho dos juízes, afirmando que trabalham além do expediente oficial, inclusive em casa e durante plantões. Para ela, as restrições terão reflexo direto na sociedade: “A população vai sentir quando ela procurar a justiça e realmente não tiver.”