Da redação
A grilagem de terras e as ocupações irregulares seguem avançando sobre áreas públicas e de proteção ambiental no Distrito Federal, conforme a DF Legal. Entre 2024 e os quatro primeiros meses de 2026, o órgão realizou 2.004 operações de desocupação, recuperando 17.184.757 metros quadrados de áreas invadidas em diversas regiões da capital.
O ano de 2025 concentrou o maior número de ações, com 854 desobstruções responsáveis pela reintegração de 9.390.485 metros quadrados, aumento de 48,5% em relação ao ano anterior. Apenas entre janeiro e abril de 2026, a DF Legal recuperou 1.468.564 metros quadrados e removeu 146 estruturas improvisadas em tentativa recente de ocupação, além de apreender seis caminhões-caçamba utilizados para loteamento ilegal.
De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal, operações e investigações têm se intensificado, com sobrevoos destinados a mapear áreas sob pressão de parcelamentos irregulares. A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente e à Ordem Urbanística afirma atuar em regiões como Núcleo Rural Bonsucesso, Cidade Estrutural e Lago Norte, buscando responsabilizar os envolvidos e impedir novos avanços, inclusive com autuações e multas ambientais de até R$ 120 mil.
A professora Vânia Raquel Teles Loureiro, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília, atribui a permanência da grilagem ao deficit habitacional e ao alto custo de vida para famílias de baixa renda. Ela destaca que os impactos vão além da perda patrimonial, trazendo prejuízos urbanos, ambientais, sociais e econômicos, e defende políticas habitacionais integradas ao planejamento territorial para enfrentar o problema de forma estrutural.





