Da redação
Tim Cain, diretor de The Outer Worlds e cocriador de Fallout, comentou em vídeo recente sobre a dificuldade de definir o tom de um jogo. Segundo o veterano designer de RPGs, os jogadores percebem rapidamente o tom, mas a equipe de desenvolvimento costuma enfrentar desafios para acertá-lo. “Tom é algo difícil de acertar. É fácil de sentir, mas difícil de descrever e mais difícil ainda de executar bem”, afirmou Cain.
O desenvolvedor explicou que The Outer Worlds se tornou um exemplo desse desafio. Durante o desenvolvimento, a Obsidian, responsável pelo jogo, tomou uma decisão deliberada: restringir os tipos de preconceito presentes no universo do game. “Uma regra que tínhamos era não incluir discriminação racial ou de gênero, como misoginia, nem qualquer outra forma que não fosse por classe social”, explicou.
Dessa forma, todos os conflitos em The Outer Worlds foram construídos em torno da hierarquia de classes. A intenção era que as histórias de discriminação fossem contadas apenas por meio dessa perspectiva. “Assim você poderia contar todas as histórias de discriminação através dessa lente”, destacou Cain.
No entanto, o resultado foi considerado ambíguo pelo criador. Cain reconhece que os jogadores, por vezes, não conseguiam captar exatamente a mensagem do jogo, nem identificar qual crítica social estava sendo feita. “‘Acho que eles estão falando de discriminação’, pensavam”, recordou Cain. “Mas era sempre algo como ‘não gosto de você porque você é zelador e não médico’, ou algo assim.”
O desenvolvedor conclui que, ao limitar o tipo de sátira, o universo de The Outer Worlds acabou parecendo irreal para parte do público, já que as tensões sociais retratadas foram substituídas por uma versão simplificada. As declarações foram divulgadas pelo site PC Gamer.








