Por Alex Blau Blau
Quantidade de medicamentos irregulares apreendidos cresceu de forma expressiva e reforça preocupação com contrabando, falsificação e riscos à saúde
O Distrito Federal passou a figurar como uma das principais rotas de entrada de medicamentos utilizados para emagrecimento comercializados de forma irregular no país. Dados das autoridades de fiscalização mostram que, apenas entre janeiro e maio deste ano, foram apreendidas 1.636 unidades desses produtos, avaliadas em aproximadamente R$ 1,35 milhão, número muito superior ao registrado durante todo o ano anterior.
Grande parte das apreensões ocorreu no Aeroporto Internacional de Brasília, considerado um dos principais pontos de entrada das cargas. Entre os medicamentos retidos, predominam produtos à base de tirzepatida, utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes, mas que vêm sendo introduzidos no país sem autorização dos órgãos responsáveis.
Segundo os órgãos de fiscalização, muitos desses medicamentos têm origem no Paraguai e chegam ao Brasil por meio de contrabando ou importação irregular. Sem registro sanitário e sem comprovação de qualidade, esses produtos não podem ser fabricados, comercializados, distribuídos ou utilizados legalmente no país.
Depois de ingressarem de forma clandestina, parte das canetas passa a abastecer um mercado paralelo, sendo encontrada em estabelecimentos irregulares, clínicas de estética, distribuidores não autorizados e até mesmo em vendas realizadas por redes sociais e aplicativos de mensagens.
As ações da Vigilância Sanitária do Distrito Federal também demonstram a dimensão do problema. Desde o início de 2025 até julho deste ano, quase cinco mil medicamentos para emagrecimento, entre canetas e ampolas, foram apreendidos durante fiscalizações em diversos estabelecimentos. No mesmo período, centenas de autos de infração foram emitidos por irregularidades relacionadas à comercialização e ao armazenamento desses produtos.
As investigações apontam que muitos medicamentos apresentavam indícios de contrabando, origem desconhecida, ausência de documentação fiscal e até suspeitas de falsificação. Também foram identificados casos de farmácias de manipulação realizando comercialização em larga escala fora das regras previstas pela legislação sanitária.
Especialistas alertam que o consumo desses medicamentos representa sérios riscos à saúde. Além da possibilidade de o produto não conter a substância informada na embalagem, existe o perigo de contaminação, dosagem incorreta e perda da eficácia devido ao armazenamento inadequado, especialmente pela interrupção da cadeia de refrigeração exigida para esse tipo de medicamento.
Entre as complicações mais graves estão infecções, pancreatite, desidratação, reações alérgicas severas, alterações nos níveis de glicose, necessidade de internação e, em situações extremas, risco de morte.
As autoridades também orientam que os consumidores desconfiem de preços muito abaixo do mercado, vendas realizadas sem nota fiscal, embalagens com falhas de impressão, ausência de bula, lacres violados ou medicamentos comercializados fora de farmácias autorizadas.
O avanço desse comércio ilegal motivou ainda operações conjuntas de fiscalização. Em junho, três clínicas de estética localizadas no Distrito Federal foram alvo de uma ação integrada envolvendo Polícia Federal, Agência Nacional de Vigilância Sanitária e Vigilância Sanitária do DF. Durante a operação, medicamentos sem comprovação de regularidade sanitária foram apreendidos, além da identificação de falhas na rastreabilidade dos produtos, ausência de documentação e possíveis infrações relacionadas à importação irregular e à aplicação dos medicamentos.
As investigações continuam e apuram a existência de crimes como contrabando, falsificação de medicamentos e outras infrações que podem representar risco direto à saúde pública.





