Da redação
Ministros do Supremo Tribunal Federal discutem estratégias diante do aumento das críticas à corte, que se intensificaram entre pré-candidatos de direita para as eleições de 2026. O debate interno ocorre em Brasília neste mês, com os magistrados buscando maneiras de evitar novos desgastes institucionais durante a campanha eleitoral.
Cinco ministros defendem posicionamentos públicos mais incisivos para rebater ataques, enquanto outros cinco preferem adotar postura discreta, evitando exposição. O impasse ganhou força após episódios como o relatório da CPI do Crime Organizado, elaborado pelo senador Alessandro Vieira, e vídeos publicados pelo ex-governador Romeu Zema com críticas ao STF.
O ministro Gilmar Mendes lidera o grupo favorável a respostas veementes. Ele fez discurso contundente após o relatório da CPI e pediu à Procuradoria-Geral da República investigação contra Vieira por abuso de autoridade. Gilmar também solicitou ao ministro Alexandre de Moraes a inclusão de Zema no inquérito das fake news, citando “uma indústria de difamação e de acusações caluniosas contra o Supremo”.
Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Dias Toffoli apoiam Gilmar, alegando que ataques ao STF podem favorecer candidatos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Entretanto, declarações polêmicas de Gilmar, como críticas ao português de Zema e um comentário questionado sobre orientação sexual, geraram preocupação quanto ao risco de fortalecer discursos de perseguição política e ampliar o engajamento opositor.
Do outro lado, Edson Fachin e ministros como Cármen Lúcia, André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux defendem autocontenção, enfrentamento mínimo e a criação de um código de conduta para os ministros. Eles avaliam que reações exaltadas expõem ainda mais o tribunal em meio às atuais crises de imagem e repercussão negativa.
Essas divergências também refletem no TSE, que terá Kassio Nunes Marques como presidente a partir de maio. Enquanto o setor ligado a Moraes, no comando anterior, defendia maior intervenção, Kassio sinaliza postura minimalista e acredita que apenas casos de extrema gravidade devem justificar qualquer restrição ao debate público eleitoral, mesmo que atinjam o Judiciário.





