“É um fardo muito pesado se colocar como candidato representante da igreja”, acredita Oséias Ribeiro

Da redação do Conectado ao Poder

O teólogo e candidato a deputado distrital Oséias Ribeiro (Agir)  foi entrevistado no programa Conectado ao Poder, da TV Cultura, pelo jornalista Sandro Gianelli, e contou sobre sua entrada para a política, lembrou de suas primeiras eleições, disse de expectativas para este ano eleitoral, além de citar a relação da política com a religião e falar sobre suas ideias caso seja eleito.

Quando começou a sua caminhada política?

Eu comecei na política no ano de 2010, quando ingressei em uma primeira campanha política de governador para o Agnelo, que foi eleito e me convidou a participar de seu governo, eu fui chefe de gabinete da Administração de Taguatinga, diretor na Secretaria de  Obras e na de Desenvolvimento Econômico, então, a partir disso, eu comecei a ter uma representação política na igreja, a Assembleia de Deus de Brasília.

Como é a divisão da Assembleia de Deus?

A Assembleia de Deus se resume em dois campos: Campo de Madureira e Campo de Missão e dentro deles existem vários outros ministérios menores, que se organizam e, em razão disso, existe a convenção geral das Assembleias de Deus de Madureira, que reúnem todas as igrejas do Campo de Madureira, e a convenção geral das Assembleias de Deus CGADB, que compreendem todas as igrejas do Campo Missão, então tudo isso, seja Missão, seja Madureira, depende da forma que nasceu, mas a liturgia se mantém a mesma.   

Em 2014 você vem como candidato a deputado distrital?

Sim. Eu fui escolhido por plebiscito e reuniões internas da igreja, que viram que meu nome era o de maior adesão e fizemos uma pré-campanha lá dentro.

Quantos votos você teve?

4.300 votos.

Em 2018 você também foi candidato. Qual votação você teve?

Eu tive 8.400 votos.

Você consegue projetar uma expectativa para as eleições de 2022?

Eu imagino um crescimento de 60% a 70% e se isso ocorrer, eu estarei disputando com frente grande para esta eleição.

Qual é o seu entendimento religioso?

Eu tenho uma compreensão religiosa de que a igreja tem uma obrigação social, até pela forma que as instituições se organizam. Como uma instituição pautada nos ensinos de Cristo, nós devemos ser um referencial tanto espiritual, quanto no campo social. Temos que direcionar a política pública social com justiça.

Como você observa a política no meio da religiosidade?

A igreja tem um tom a dar um perfil político, mas qualquer representante político não deve se colocar como representante de certa instituição religiosa, até porque isso seria uma quebra do princípio democrático, porque as pessoas votam em seus representantes para representar o DF inteiro e não apenas uma categoria. Muita gente já faz campanha no DF se colocando como representante da igreja, o que eu acho um fardo muito pesado, porque o grande representante da igreja é Cristo, então a função tem que ser muito mais ampla do que segmentada. Eu me sinto representante dos religiosos, mas com a ética que eu aplico em qualquer circunstância da minha vida, porque arrancar meu sentimento Cristão é o mesmo que arrancar minha pele.

Você acha adequado trazer princípios de fé como bandeira?

As pessoas podem ter princípios que a igreja defende, mas eu não acredito que alguém deva trazer para a política esses princípios de fé como bandeira. Se eu falar que as bandeiras religiosas, como família, devem ser representadas e defendidas no campo político, eu estou diminuindo um discurso muito maior.

Se eleito, quais serão suas três principais defesas?

Eu defendo a habitação para as pessoas de baixa renda. Temos que mudar os critérios da política habitacional aqui no DF, trazendo novamente o sonho da casa própria para as pessoas que mais precisam de moradia. Lutamos também pela regularização fundiária, porque acreditamos que é uma questão social de crescimento pessoal e também defendo o terceiro setor, que é onde entra a igreja para mim, pois ela me ensinou a praticar o trabalho social. Como deputado distrital, eu quero colocar as minhas emendas parlamentares para o desenvolvimento humano e para a geração de emprego, então temos duas propostas muito importantes. Eu pretendo colocar a cada ano 1.000 pessoas no mercado de trabalho, com qualificação profissional e com emprego custeado por um programa através de nossas emendas parlamentares e é possível fazer isso. Eu quero ser uma semente de uma nova política no DF.

Confira a entrevista: