Da redação
A dívida pública brasileira atingiu 81,1% do Produto Interno Bruto, maior percentual em cinco anos, conforme dados do Banco Central. O índice superou as expectativas do mercado, que projetava 80,7%. Segundo a Instituição Fiscal Independente, se as atuais condições de gastos se mantiverem, a dívida pode chegar a 82,5% do PIB até o fim do ano e a 115% em 2036.
Economistas afirmam que o aumento surpreendeu o mercado. Rafael Barros Barbosa, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas, destaca que os analistas já esperavam avanço devido a gastos em período eleitoral, mas o resultado acima do previsto indica pressão adicional nas contas públicas. Alexandre Andrade, diretor da Instituição Fiscal Independente, classifica o patamar atual como “completamente insustentável”.
Diante do agravamento, surgem propostas para reverter o quadro. Fábio Giambiagi, economista do FGV Ibre, sugere um “Superteto” para consolidar todas as regras fiscais em uma “Super PEC”, corrigindo falhas de normas anteriores como o Teto de Gastos e o Arcabouço Fiscal. Márcio Holland, professor da FGV, aponta que os juros da dívida subiram de 5,9% para 8,5% do PIB desde 2023 e defende um programa de consolidação fiscal de longo prazo baseado principalmente em cortes de despesas.
A Dívida Bruta do Governo Geral representa o total dos débitos da União, Estados, Municípios e INSS. Economistas monitoram seu crescimento devido ao impacto nos investimentos públicos e na exigência de juros mais altos por investidores. Andrade avalia como improvável alcançar superávits primários; ele sugere que só o corte de gastos obrigatórios, inclusive com nova reforma da Previdência e revisão de benefícios tributários, pode frear o avanço da dívida.




