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El Niño deve elevar temperaturas e aumentar risco de incêndios no Distrito Federal


Da redação

Chuvas fora de época no Distrito Federal, em pleno período de estiagem, foram identificadas por meteorologistas como os primeiros sinais do fenômeno El Niño, que, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), elevará as temperaturas na capital e aumentará o risco de incêndios florestais durante a estação seca. O aquecimento anormal ocorre em um cenário de previsões que apontam intensificação do fenômeno ao longo dos próximos meses e ausência de padrão definido para o regime de chuvas na região.

Francisco de Assis, consultor climático, afirma que o El Niño já atingiu intensidade forte e impacta principalmente a elevação da temperatura em Brasília durante a primavera, com efeito menos previsível sobre as chuvas. Ele destaca que massas de ar frio no Sul adiaram o calor mais intenso no Centro-Oeste, mas a tendência é de aumento significativo nas próximas semanas. O especialista recomenda atenção a boletins meteorológicos para adaptação diante de possíveis episódios de baixa umidade, calor e temporais localizados.

Segundo o pesquisador Gilvan Sampaio, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o El Niño deverá ganhar ainda mais força, com pico previsto entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Sampaio observa que o aumento das temperaturas no Centro-Oeste preocupa pelo risco de incêndios florestais e pela piora da qualidade do ar, além dos impactos na saúde e no consumo de energia da população.

Produtores rurais do Distrito Federal, como Ronaldo Triacca da Villa Triacca, adaptam técnicas agrícolas para enfrentar as variações climáticas, utilizando estratégias como a dupla poda para garantir a qualidade das uvas. Conforme Erbert Araújo, da Ercoara/Vinícola Brasília, o aumento da precipitação exigiu práticas específicas para manter a sanidade dos vinhedos, e ambos destacam o desafio crescente de investir em tecnologia e manejo para lidar com eventos extremos.