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Eleições municipais na França testam união das direitas e indicam tendências na disputa pela Presidência


Da redação

As eleições presidenciais francesas estão marcadas para 2027, mas o país vai às urnas nos próximos domingos, dias 15 e 22, para escolher novos prefeitos. O pleito municipal serve como termômetro da correlação de forças antes da disputa pelo Palácio do Eliseu e também testa a disposição dos partidos tradicionais para alianças com siglas radicais. O cenário é especialmente observado em meio à crescente polarização política.

A extrema direita, representada pelo Reagrupamento Nacional (RN) de Marine Le Pen, pode consolidar seu avanço, enquanto Le Pen aguarda decisão judicial que pode definir sua candidatura presidencial. A direita tem ainda chance inédita de conquistar Paris, governada pela esquerda há 25 anos, com a candidatura de Rachida Dati, ex-ministra e aliada de Nicolas Sarkozy. Para vencer, Dati poderá precisar do apoio de Sarah Knafo, do partido Reconquête, de direita radical.

No sistema eleitoral francês, candidatos com ao menos 10% dos votos vão ao segundo turno, tornando alianças determinantes. Em Paris, podem avançar até cinco nomes. Além de Dati e Knafo, aparecem o socialista Emmanuel Grégoire, Pierre-Yves Bournazel (centro pró-Macron), Sophia Chikirou (esquerda radical) e Thierry Mariani (RN). A expectativa é de pressão para que candidaturas sejam retiradas no segundo turno, evitando fragmentação dos votos.

A disputa ficou mais acirrada após o assassinato, em fevereiro, do estudante Quentin Deranque, supostamente por militantes de extrema esquerda em Lyon. O episódio elevou a pressão para boicote de partidos radicais. Em Paris, Dati critica a atual gestão Anne Hidalgo, acusando Emmanuel Grégoire, ex-vice, de ser “copiloto dos erros” da prefeita e menciona a dívida de €10 bilhões da capital.

Em Lyon, o prefeito Grégory Doucet (Partido Os Ecologistas) aparece atrás do empresário Jean-Michel Aulas, da direita. Em Marselha, Benoît Payan (socialista) enfrenta disputa acirrada contra Franck Allisio (RN), num contexto de crescimento da extrema direita, que na eleição legislativa de 2024 triplicou cadeiras na cidade. Segundo Jordan Bardella, líder do RN, “o primeiro dia da transformação política começa com as eleições municipais deste domingo”.